sábado, 30 de julho de 2016

Lançada no Brasil biografia do polêmico e excêntrico autor americano Philip K. Dick



A realidade não passava de uma alucinação coletiva para o autor de ficção científica norte-americano Philip K. Dick (PKD, para os íntimos), pouco conhecido como escritor no Brasil

Já entre os cinéfilos, seu nome está longe de soar estranho pelos filmes baseados em seus livros. O mais festejado deles, Blade Runner (aquele com Harison Ford, de 1982), foi baseado no romance Do androids dream of electric sheep? (1966), publicado por aqui com o título traduzido, Androides sonham com ovelhas elétricas?, pela Aleph, a qual vem editando grande parte de sua produção e, agora, sua biografia, Eu estou vivo e vocês estão mortos, redigida pelo romancista e diretor de cinema Emmanuel Carrère.

Embora dispensasse a legitimação da comunidade acadêmica, Dick era formado em filosofia pela Universidade da Califórnia e amargou certo ressentimento pelo menosprezo dos editores que se recusaram a publicar suas obras de cunho autobiográfico nos anos 50. Assim, teve de recorrer a revistas populares como a Planet Stories para editar seus contos, dedicando-se à ficção científica por considerar o gênero perfeito para suas elucubrações filosóficas. 
Foi assim que seu primeiro livro publicado, Solar Lottery (Loteria Solar, 1955), narra uma distopia (recorrente dali em diante no que escreveria) em um mundo futuro, mais precisamente o século 23, em que a democracia se torna página virada na história da humanidade e as funções dos terráqueos são definidas previamente por um sistema lotérico viciado. 
Ele imaginou, por exemplo, como seria o mundo se a Alemanha e o Japão tivessem derrotado os países aliados na segunda grande guerra em O homem do castelo alto (1962) – nele os Estados Unidos praticamente não existem mais, judeus são caçados sem piedade, utilizando-se de identidades falsas para sobreviver e os negros voltam a ser escravos –, livro que lhe rendeu o prêmio Hugo, cujos direitos também foram vendidos para o cinema, assim como os de Ubik (1969).

Biografia

dos seus 30 anos o escritor francês Emmanuel Carrère passava por No No começo da década de 30, Emmanuel Carrère passava por uma crise religiosa e profissional, sem ideias e sem desejo de escrever, ele aceitou a sugestão de seu agente: escrever uma biografia. O nome do biografado lhe veio à mente na hora: Philip K. Dick (1928-1982).

'Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos' (que a Aleph publica agora no Brasil; o livro foi lançado primeiro em francês, em 1993) é uma biografia, digamos, heterodoxa: em vez de fuçar arquivos, documentos e decupar centenas de entrevistas, Carrère reconstruiu a vida do escritor norte-americano com base em uma biografia previamente publicada e no trabalho de ficção de Dick, além de um grupo pequeno de entrevistados.

A falta de fontes explícitas no texto – que fez críticos amarem e odiarem o livro quando ele foi lançado em inglês, no início do século – é compensada pela elegância com que Carrère conduz a história maluca de Dick. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. 
O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma ‘bad trip’ em toda sua vida (e outro boato divertido é que a “revelação” religiosa que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem).

Como uma glória póstuma, outros livros de sua autoria ainda seriam publicados após sua morte e é provável que ainda existam alguns por publicar, escondidos em algum armário. Só o tempo dirá.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!