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sexta-feira, 22 de julho de 2016

'Fluxorama', espetáculo onde monólogos tratam do limite físico e do fluxo da vida contemporânea



“Fluxorama” – a palavra, por si só, não quer dizer muita coisa, mas é uma peça que fala sobre o esforço que o homem pode fazer para permanecer vivo, existente, pulsante...

Com texto de Jô Bilac, o espetáculo reúne três monólogos, cada um deles dirigido pelo ator de uma das cenas. Rita Clemente interpreta “Amanda”, dirigida por Inez Viana. Vinícius Arneiro interpreta “Luiz Guilherme”, dirigido por Rita Clemente. Inez Viana interpreta “Valquíria”, dirigida por Vinícius Arneiro. Em um deles, uma pessoa vai se descobrindo, aos poucos, sem os sentidos. Primeiro, a audição, depois o paladar, o olfato até chegar à visão. 

Noutro, em meio às ferragens do carro em que se acidentou, uma pessoa vai tentando equilibrar-se em busca da própria consciência para seguir vivo o máximo de tempo possível. Noutro ainda, no absurdo das pressões sociais, uma pessoa corre, desviando o pensamento do cansaço e focando no objetivo para resistir à tentação de parar e desistir. 

Com muita sutileza, e preciosa delicadeza, o espetáculo fala, na ordem do texto e da encenação, em um tom bastante elegante, assegurando o lugar da profundidade das questões sem parecer nenhum um pouco pedante. Está em cartaz no Teatro do OiFlamengo, zona sul do Rio de Janeiro.

Reflexão sobre relações

A direção de Inez Viana, nesse espetáculo, ratifica o exercício visto nas produções da Cia. Omondé. O espectador de “Fluxorama” não deve perder a oportunidade de refletir, assim, sobre os lugares diferentes, mas colaborativos, criados para contar a história de forma teatral. De um lado, a interpretação e o texto dito por Rita Clemente. De outro, a pressão que um tecido branco-transparente elástico faz sobre a personagem (uma espécie de rede que empurra “Amanda” para baixo). Aparentemente divergentes, os dois lados podem oferecer aos olhos mais atentos pontos de vista diferentes sobre a mesmo.

Com excelente ritmo no dizer o texto enquanto corre, subindo e descendo rampas, Viana está em um momento raro do seu trabalho como atriz. Nesse espetáculo, ela é vista em tom realista, sem partituras e com alguma liberdade dentro do quadrado que ela desenha. Mais uma vez, consegue um ótimo resultado.

“Fluxorama” pode, claro, ser visto como mais uma peça, mas sugere uma excelente reflexão sobre as relações entre o que é feito e a forma como é feito, relação essa aqui expressa de forma sublimemente refinada.

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