sábado, 9 de julho de 2016

Em ‘Descobri que Estava Morto, J. P. Cuenca contextualiza a luta de classes tendo como cenário o RJ pré Olimpíadas 2016

Descobri que Estava Morto é um romance sobre a morte, «real», do autor. Ou melhor, sobre a famosa questão da “morte do autor” no sentido real e no literário, cuja ação passa-se num atualíssimo Rio de Janeiro pré-olimpíadas 2016, com ácida crítica ‘a uma corrupta e endinheirada classe média e alta’

Descobri que Estava Morto tem uma premissa original: J.P. Cuenca, o escritor e também personagem principal do livro, descobre por acaso que existem documentos que provam a sua morte. A expectativa que é criada no leitor, a partir daí, é que o livro gire em torno da investigação deste estranho caso, mas o que encontramos é bastante diferente. 


Este livro não é um policial nem um thriller, é antes uma (por vezes estranha) viagem pelo significado do eu e da vida, num exercício marcado pela constante falta de limites entre realidade e ficção.

Destaque especial para o início e o fim do livro. Pelo meio, o autor investiga as suas mortes: a literal e, com muito mais profundidade, a figurada. A espiral de destruição, a alienação e a perda dos sentidos – especialmente o sentido da existência – são a pedra de toque da narrativa e a ligação entre as duas mortes o final bem conseguido. Entretanto, várias secções do livro podem não me despertar o interesse do leitor e pouco contribuem para enriquecer o conteúdo.

Indagado sobre o que ele faria se pudesse cuidar da cidade e do país, ele não titubeou "Acho que defenestraria todo mundo que está no poder agora. A prioridade do brasileiro neste momento é o mais rápido possível se mobilizar para que este modo de governar caia. Eu acho que às vezes a gente parece que está morto, mas a gente não pode estar, não pode parar de falar disso".

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