quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Mitra – uma tradição citada desde o Antigo Testamento ainda é um símbolo perene da Igreja Católica


Desde o Antigo Testamento vemos o costume dos Sumos Sacerdotes portarem uma cobertura para a cabeça, como encontramos no livro do Levítico, onde há uma referência aos filhos de Aarão: “Depois mandou que se aproximassem os filhos de Aarão, e os revestiu de túnicas e de cinturas, pondo-lhes também mitras[5] nas cabeças, como o Senhor lhe tinha ordenado” (8,13)

A origem da mitra está em Roma. Entre as vestes não-litúrgicas próprias do papa, encontramos o camelauco. Este se constituía de um pequeno barrete, que passou do uso profano às vestes do papa no início do século VIII, tendo sido citado pela primeira vez durante o Pontificado de Celestino I no "Liber Pontificales".

O formato inicial do camelauco era cônico e era produzido em seda branca. Seu uso se dava principalmente durante as procissões solenes. E foi dessa forma que a mitra teve sua origem. O papa passou a não usar a cobertura para a cabeça não apenas na procissão, mas na celebração que se seguia, geralmente a Santa Missa.

Nesse momento a mitra era um distintivo do papa. Só tempos mais tarde que a mitra passou a ser insígnia episcopal. E, apenas no século XI, que a mitra passou a ser usada também pelos cardeais, ainda que não fossem bispos. Esse é certamente o primeiro caso de clérigos mitrados fora da ordem episcopal. O segundo, foi provavelmente os abades, quando o Papa Alexandre I concedeu o privilégio da mitra ao Abade Eugênio da Abadia de Canterbury, privilégio este que se disseminou até ser comum a todos os abades.

História


Caminhando um pouco mais na história, podemos ver o uso de mitra até mesmo por não-clérigos. Entre os leigos, podemos citar o uso de mitra pelo Imperador Alemão e pelo Duque da Boêmia. Também, à semelhança dos abades, a algumas abadessas a mitra foi concedida para ser usada sobre o véu.

Em relação ao formato, a mitra cônica do século XI, deu lugar, no século posterior, à mitra partida ao centro. Também se nota desse século a faixa junto à base que decora a mitra (círculus). Este formato de mitra, embora seja hoje estranho aos ritos latinos, é o mesmo modelo, ou ao menos muito semelhante, da mitra dos bispos de Rito Caldeu.

3. Principais Tipos de Mitras

No Rito Romano, as mitras são classificadas tradicionalmente segundo os seus ornamentos. De acordo com a celebração, o cerimonial prevê um tipo de mitra. Na forma extraordinária tem-se três tipos: a mitra simples, a mitra aurifrisada e a mitra preciosa. Na forma ordinária, o Cerimonial dos Bispos distingue apenas dois tipos: simples e ornada.

3.1 Mitra Simples ("simplex")


O primeiro dos tipos de mitra é a mitra simples, sua principal característica é a falta de ornamentos e a cor predominantemente branca. A mitra simples, ironicamente, possui a mais complexa variação entre os o colégio dos bispos, diferindo entre o papa, os cardeais e os demais prelados.

3.1.1 Mitra simples dos bispos e abades


A mitra simples do bispos é branca, exceto pelas franjas vermelhas das ínfulas. São feitas de seda e não possuem nenhum relevo ou bordado, nem mesmo o tradicional brasão nas ínfulas. O forro é geralmente branco, embora se veja por vezes mitras simples de bispos munidas de forro vermelho.

3.1.2 Mitra simples dos Cardeais


Tradicionalmente os cardeais usam nas celebrações do Sumo Pontífice a mitra pinha, uma mitra de tecido adamascado com relevo dessa fruta. Tanto para os cardeais diáconos, quanto para outras funções e, mais modernamente, para a concelebração.

A pinha é um símbolo muito antigo no império romano, ela representa a união de vários povos em torno da cidade de Roma; liturgicamente, representa a união de todo o mundo na pessoa dos cardeais ao redor do Sumo Pontífice.

3.1.3 Mitra simples do Papa


A mitra dita simplex usada pelo Sumo Pontífice é, como todas as demais, eminentemente branca, possui, porém, tanto na parte da frente quanto na de trás um estreito contorno dourado, as ínfulas são brancas e possuem também um contorno dourado, além de franjas dessa cor.

7. Conclusão

A mitra é, apesar de seus muitos tipos e complexo cerimonial, é uma insígnia de significado muito simples: autoridade. Não poder temporal, mas autoridade pastoral. Se o báculo representa a missão do bispo de pastorear o povo, a mitra representa a autoridade que lhe foi dada para desempenho deste ministério.

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