sábado, 18 de junho de 2016

Recife Antigo - Abertura do São João no Recife leva sanfoneiros e forró ao palco do frevo



Na Capital Nacional do Frevo, se ouve e se dança forró de segunda a domingo, de janeiro a dezembro. O frevo e o forró convivem pacificamente e até dividem o espaço onde tudo acontece na capital pernambucana: o Marco Zero, no Recife Antigo


Palco nacional do frevo, o Recife Antigo, bairro histórico da capital pernambucana, foi tomado na noite do último dia16 pelo ritmo genuíno das festas juninas: o forró. Dezenas de músicos tocaram simultaneamente pelas ruas da cidade marcando a abertura dos festejos de São João.

A festa começou na Rua da Moeda e seguiu em caminhada até a Praça do Arsenal. Os sanfoneiros lideravam o cortejo de músicos. Na terra de Luiz Gonzaga, a sanfona é rainha. O pernambucano é o ícone mais ilustre da tradição forrozeira de estado, mas não é o único. Cícero Gonçalves da Costa, o Cícero da Sanfona, 75 anos, do município de Paulista, perdeu as contas de há quantos anos toca o instrumento, mas leva na lembrança o carinho e a proximidade com mestres da família de Gonzagão. “Eu conheci o pai do Luiz Gonzaga. Ele já estava doente. Agora o irmão dele, Severino Januário, era muito meu amigo”.

Cícero da Sanfona é conhecido por tocar o acordeão apoiado no topo da cabeça. Na multidão, o instrumento dele é o que mais aparece, coroando os sanfoneiros. “O forró autêntico é um símbolo do Nordeste. Independente de ser época ou não, o forró vem no coração da gente. É o coração e a alma do nordestino.”

A previsão era de que cerca de 100 músicos participassem do evento, que ocorre há 12 anos. No entanto, o número de músicos nas ruas hoje era visivelmente menor. Um dos artistas, que pediu para não ser identificado, disse que, com a crise, muita gente convidada acabou tocando em festas particulares. Funcionários da Prefeitura que trabalhavam no evento, no entanto, garantiram que os forrozeiros estavam dispersos na multidão.

O prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), que deve ser candidato à reeleição, andou no meio do povo, passou no túnel de uma quadrilha improvisada e dançou forró com a primeira-dama e com populares.

Tradição atrai turistas e moradores


Além do forró, outros símbolos da festa junina puderam ser vistos no centro do Recife: chapéus de vaqueiro tradicionais e modernos, vestidos de chita rodados, fantasia de Padre Cícero e de rainha do milho, e os tradicionais mamulengos, bonecos que dançam com bailarinos. A boneca Carolina era conduzida por George Lira, 42 anos, e ganhava vida a cada remelexo, com direito a piscada dos olhos de cílios longos. “Faço isso há quatro anos. Conheci através de um amigo meu. Pedi para dançar com uma [boneca], me apaixonei e pedi para fazer a minha”, contou o artista.

A festa atraiu gente de Pernambuco e de outros estados. Integrante do grupo Sereias Teimosas, Lúcia Maria de Oliveira, de Brasília Teimosa (bairro tradicional do Recife), dançava animada com as amigas, todas da terceira idade, fantasiadas com um véu de noiva. “Todo ano a turma da gente vem, há mais de 10 anos. Isso é tudo pra gente, menina”, disse, enquanto rodopiava.

Mais contemplativa, a jornalista paulistana Mariana Isagawa, 26 anos, observava a multidão junto com o marido. “Aproveitei um casamento em João Pessoa e resolvi conhecer o São João daqui. Ainda vou passar em Caruaru para conhecer a festa de lá.”

Fonte: EBC

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