domingo, 12 de junho de 2016

O documentário “O Botão de Pérola”, que está em cartaz desde 26 de maio, foi vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro no 65º Festival de Berlim



Em seu mais recente documentário, o diretor Patricio Guzmán cria uma espécie de sequência espiritual de seu filme anterior, o premiado “Nostalgia da Luz”. Da paisagem oceânica, é possível recuperar histórias que, apesar de distantes em tempo cronológico, são passíveis de aproximação


Mantendo relações tanto estéticas e estruturais quanto temáticas com seu filme anterior, “O Botão de Pérola” propõe novamente uma relação entre a geografia do Chile e a ditadura de Pinochet, tema mais recorrente de sua obra desde “A Batalha do Chile” (1975).

Desta vez, Guzmán usa a maior fronteira de seu país – o mar – para estabelecer uma conexão do perturbado passado colonial do Chile com a mais recente realidade dos presos políticos da época do Pinochet – histórias ligadas por um elemento comum e arraigadas na água, elemento fundamental da vida humana.

Reconhecimento internacional

Oriundo do Chile, Patricio Guzmán é hoje um dos documentaristas de maior prestígio internacional. Iniciou sua carreira no cinema no final da década de 1960. De orientação política de esquerda, é famoso pelo engajamento em sua obra, que tem como temática mais recorrente o período da ditadura militar no Chile. 

Seu primeiro trabalho de grande projeção foi “A Batalha do Chile”, em que documenta a tomada do poder pelo general Augusto Pinochet em 1970, que o obrigou a se exilar do país no início da década devido ao apoio ostensivo ao governo de Salvador Allende. 

O documentário deu início a uma série de três volumes, e a temática foi retomada recentemente em “Nostalgia da Luz” e “O Botão de Pérola”, que trazem uma renovação estética e uma nova abordagem ao tema em relação ao restante da obra do cineasta. 

Com uma filmografia largamente premiada em importantes festivais ao redor do mundo, Guzmán recebeu recentemente o Prêmio Humanidade na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, pelas questões abordadas em seu último filme, “O Botão de Pérola”.

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