segunda-feira, 20 de junho de 2016

Luiz Gonzaga, seu gênio musical inventivo e a capacidade de cercar de bons compositores



Quanto mais falo e escrevo sobre Luiz Gonzaga, mas me apaixono pela sua trajetória e sua história de vida, do sertanejo que saiu do torrão natal, fez sucesso no Sul do país, mas jamais deixou de ter suas raízes no seu Nordeste, na sua amada Exu, onde nasceu e viveu até os 18 anos

Sendo a sua maior criação, o baião foi gestado enquanto o seu futuro rei estava bem longe de casa. E foi exatamente quando fez sucesso com sua música e investiu forte no regionalismo e resgatou suas origens, que Luiz voltou para casa e reencontrou sua família, seu sertão, o gado, as casas de reboco, o seu pé de serra, onde ele deixou ficar seu coração.

O TRIO


Gonzaga era único e não se conformava em seguir um roteiro pré-definido, ele queria desbravar seu próprio caminho musical, contra as opiniões de quem dizia que ele só podia tocar, que não tinha uma voz de cantor. Cantou, encantou e criou sua própria identidade e, dentro desse espírito inovador, nasceu uma das mais emblemáticas criações de Luiz Gonzaga, o trio instrumental de forró é repetido e usado como referência principal de sonoridade até hoje por forrozeiros velhos e jovens. 


A sanfona ladeada de um zabumba e um triângulo é um dos símbolos mais fortes do forró, musicalmente e visualmente. O trio de forró não era uma formação corrente, foi Gonzaga que o concebeu e, a partir daí, a configuração passou a ser usada por seus seguidores.

Letristas como parceiros do seu reinado no baião

Não basta ser bom, tem que se cerca de gente boa. Dentro dessa máxima Luiz Gonzaga buscou letristas de valor e teve sua carreira permeada de grandes parcerias. A primeira delas ele encontrou em casa. Seu pai, Januário José dos Santos, pode ser considerado, ao pé da letra, seu primeiro companheiro no mundo da música. Foi consertando instrumentos ao lado do pai que o "Velho Lua" aprendeu a tocar acordeão, dando início assim a um amor que carregou para o resto da vida.

Dando partida à sua vida musical, Gonzaga deu baixa no exército e foi para o Rio de Janeiro, de onde pegaria um navio para o Recife. O primeiro parceiro de Luiz foi o baiano Xavier Pinheiro, com quem foi morar no bairro de São Carlos e que futuramente criaria o filho do Rei do Baião. Juntos, eles tocavam em casas noturnas, os ditos "cabarés", ritmos como fado, choros, sambas, valsas, tangos, entre outros.

Sem tanto sucesso, Gonzaga passou a se apresentar sozinho nas ruas. Depois de ser indagado por estudantes nordestinos, ele concluiu que precisava mostrar em suas canções aquilo que a região tinha e significava.


HUMBERTO TEIXEIRA E O "HINO DO NORDESTE" - ASA BRANCA

Luiz Gonzaga já tinha reconhecimento e compunha algumas canções, além de contar com as parcerias de Miguel Lima, Alcebíades Nogueira, Assis Valente e Jeová Portela. Com o objetivo de dar mais características do Nordeste às suas musicas, Luiz inicia uma parceria com Humberto Cavalcanti Teixeira, um advogado cearense. Começa aí uma história de sucesso.

Humberto se formou em direito no Rio de Janeiro, mas também seguiu pelo caminho da música. Ele tinha composto sambas, marchas, xotes e algumas toadas quando teve o primeiro encontro com Luiz Gonzaga. O "Velho Lua" disse o que pretendia e Teixeira apostou.Humberto Teixeira foi quem acreditou primeiro no projeto de Luiz. Além da simpatia com o propósito, tinha capacidade, talento e inteligência para se tornar um dos seus grandes. 

Zé Dantas

Já com o status de Rei do Baião, Luiz Gonzaga conheceu Zé Dantas, que era estudante de medicina e um músico vocacionado. O primeiro encontro deles ocorreu em 1947, no Recife. Dantas é pernambucano de Carnaíba das Flores, no Sertão do Estado.

Dantas nunca teve apoio de seu pai, José de Souza Dantas, para seguir no mundo da música. Formou-se em medicina, mas continuou no universo musical. Por conhecer bem a região nordestina, Zé conseguiu falar com propriedade dos aspectos de sua terra.

Juntos, eles conseguem fazer uma década inteira de sucessos: Vem, morena, A dança da moda, Sabiá, São João na roça, Á-bê-cê do sertão, Riacho do Navio e Xote das meninas, que é uma das canções mais conhecidas.

Resgatando Gonzagão - João Silva


Destacando esse dois monstros sagrados, não podemos esquecer parceiros da estirpe de Zé Marcolino, (Cacimba Nova, Pássaro Carão, Sala de Reboco), Onildo Almeida (Feira de Caruaru), entre tantos outros, mas pelo resgate do Rei do Baião, que se encontrava em uma fase de pouco prestígio, não podemos deixar de destacar o nome de João Silva. 

Esse Pernambucano de Arcoverde, autor de inúmeros sucessos como Nem se Despediu de Mim, Danado de Bom, Vou de Matar de Cheiro, foi de vital importância para o retorno de Gonzagão à ribalta. Foi com o sucesso de “Nem se Despediu de Mim", que o Rei do Baião emplacou um Disco de Ouro e voltou a integrar as paradas de sucesso, tão comuns em meados dos anos 80.

Poderíamos citar vários outros compositores que marcaram a carreira de Gonzagão, mas com esses três nomes, acredito que sintetizamos uma grande parte da inigualável obra de Luiz “Rei do Sertão” Gonzaga. 


Euriques Carneiro

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