segunda-feira, 6 de junho de 2016

Feira de Santana e a safra de sanfoneiros que mantêm desfraldada a bandeira erguida por Luiz Gonzaga



O cenário musical de Feira de Santana é amplo e eclético, tendo na sua historia nomes como o Cessé Amorim, Timbaúba Albuquerque e Beto Pitombo, quando falamos em MPB, mas tem excelentes músicos com destaque para os sanfoneiros. Para abordar esse celeiro, escolhemos três nomes que se apresentam com freqüência na cidade e em municípios circunvizinhos: Kikito Kunegundes, Baio do Acordeon e Dr Ed Forró

Kikito Kunegundes


O sanfoneiro Kikito Kunegundes, nome artístico do baiano de Cansanção, Domingos Ramos Cunegundes não é daqueles que herdaram o talento ou foram influenciados por familiares e amigos. Começou a tocar sanfona aos 16 anos ainda na sua terra natal. Há 26 anos, mora em Feira de Santana e por 22 anos integrou a Banda Flor de Cactus, uma referência musical da Princesa do Sertão que foi criada pelo empresário Zé Anísio, ainda nos aos 80.

Introspecto, não é dado à ribalta e nem tem o hábito de acessar frequentemente as redes sociais. Tido com uma virtuose no domínio do acordeom, Kikito costuma apresentar-se acompanhando o músico Pititiu, também uma referência musical de Feira de Santana, destacando-se pela voz e, principalmente pela qualidade do repertório. Em apresentações da dupla Pititiu & Kunegundes, nem adianta alguém da platéia pedir músicas do tipo arrocha, funk e outras desprovidas de conteúdo artístico pois eles não interpretam.

Com quase 40 anos de carreira, Kikito é casado e pai de três filhos.

Baio do Acordeon
Outro nome que se tornou uma referência como sanfoneiro é o de André Galdino dos Santos, popularmente conhecido como BAIO DO ACORDEON. Baio ganhou fama e se tornou uma lenda após ser descoberto por LUIZ GONZAGA em Feira de Santana e receber do Rei do Baião uma "Sanfona" Branca.

Após ganhar visibilidade, Baio foi convidado pelo compositor, instrumentista e cantor JACINTO LIMEIRA para tocarem sob supervisão do Diretor Artístico da Gravadora CBS (ABDIAS dos Oito Baixos) formando assim OS BAMBAS DO NORDESTE que era composto por Baio (Acordeon) Binha (Triângulo) Jorge (Zabumba). Dessa união com o Cantor Trombonista, - como era conhecido Jacinto Limeira, - foram 17 anos de amizade, 09 discos gravados e muitos arranjos compostos para os discos do cantor.

Durante 06 anos Baio foi sanfoneiro da CARAVANA PAU DE SÊBO "Gravadora CBS" que era composta na época por: Abdias e sua Sanfona de Oito Baixos; Os 03 do Nordeste; Jacinto Limeira; Benedito Nunes; Marinês e sua Gente; Elino Julião; Messias Holanda; Edson Duarte; Marlene Vidal; o sanfoneiro Gennaro e o inesquecível Trio Nordestino, ainda formado por Lindu, Coroné e Cobrinha.

Mané, como era carinhosamente chamado e respeitado por Dominguinhos, além dos arranjos feitos para Jacinto Limeira, também emprestou seu talento em outras músicas, como: FORRÓ CHEIROSO (Clemilda); FORRÓ DE TAMANCO (Os 03 do Nordeste); NÃO PISE NO PÉ DELA (Trio Nordestino); O SOL COM A MÃO (Trio Nordestino) PAGODE QUENTE (Trio Nordestino), dentre outras.

Natural de Água Banca - AL, filho de Zé Tucano (Funcionário da Leste Brasileira) e Idália (Costureira), André que posteriormente ganharia do seu irmão o apelido de Baio, teve 06 irmãos, sendo 02 mulheres. Migrou para Bahia com 03 anos de idade junto com sua família, precisamente para a cidade de Miguel Calmon, onde foi batizado.

Embora seu pai também fosse tocador de fole e ter dado uma surra no garoto para não aprender tocar, Baio teimou e, mais tarde,viria a acompanhá-lo embora por pouco tempo, dado o precoce falecimento do seu genitor. Migrando, dessa vez para Feira de Santana com 08 anos de idade, o Radialista Joel Magno vislumbrando o talento do garoto, logo chamou para participar dos Serviços de Alto Falante da cidade, lhe presenteou com uma Sanfona de Oito Baixos e Baio não parou mais. Já rapaz, conseguiu um emprego em uma oficina onde comprou um acordeon de 48 baixos com ajuda do seu patrão, que terminou de pagar com o dinheiro dos cachês que ganhava.

Em meados dos seus 30 anos de idade, conheceu o REI DO BAIÃO na Feira do Campo do Gado Velho. Chamado por amigos para assistir a apresentação do Rei, foi como penetra de acordeon na mão, no qual tinham lhe emprestado um de 80 baixos, chegando lá, Baio foi apresentado a Luiz por intermédio do Radialista Chico Caipira. Entusiasmado para vê-lo tocar, Gonzaga pediu para que o mesmo começasse a lhe acompanhar, agradando de tal forma ao ponto de ser ofertado um acordeon. Depois de 3 meses chegou a tão sonhada Sanfona Branca SCANDALLI sendo destinado a Beto (afinador de sanfona), como o mesmo não se encontrava, foi entregue ao sanfoneiro Erudílio, que ficou na incumbência de repassar ao seu verdadeiro dono.
DR. ED  - O terapeuta do forró
E Feira de Santana conta com mais um nome para manter vida a chama da cultura criada por Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga e que tiveram continuidade na arte de nomes como Dominguinhos, Alceu Valença, Targino Gondin, Quininho de Valente e Adelmário Coelho, entre muitos outros. Trata-se do nome de Dr. Ed, um pernambucano radicado em Feira de Santana que, já em seu quinto CD, revigora a cena do arrasta-pé com uma marca muito própria e um suingue envolvedor.

O ‘Doutor’ do nome não é firula artística. Ed é mesmo doutor, mais precisamente do terreno da psicologia, com atuação nas áreas de Aconselhamento e da Educação Emocional, tendo cursado Teologia e especialização em Psicanálise Clínica, além de Psicologia da Educação. O trabalho de Aconselhamento realizado junto ao projeto Oficina da Alma rendeu a ele o título de doutor honoris causa nesta área. Dr. Ed também ensinou na UFES e na Eneb e fez palestras por toda a Bahia na área de Educação Emocional.

Mas se nos bastidores Dr. Ed se aprofunda no conhecimento da mente humana, no palco seu forró tem efeito terapêutico e é um santo remédio para quem anseia por alegria, diversão e alto astral. É assim que, entre a ciência de Freud e a música de Gonzagão, ele se estabelece como um intérprete de sensibilidade e de voz marcante, cujo timbre lembra muitas vezes o próprio Rei do Baião.

Disco

O último disco de Dr. Ed, “Álbum Retrô, As Mais Belas Canções – A Alegria do Forró”, que foi lançado em 2013, é uma compilação de 20 músicas já gravadas anteriormente por ele. Abrange desde canções próprias, como “Quandear” e “Perfume de Mulher”, a clássicos da música nordestina com a marca do artista, como “Xote das Meninas”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Pau de Arara” e “Gostoso Demais”.

Histórico

Natural de Recife, Ednaldo José da Silva – o nome completo do Dr. Ed – trabalhava na área de metalurgia, como retificador de motores, quando veio para a Bahia (Feira de Santana) em 1994. A música entrou na vida dele desde cedo, através da radiola de fichas do bar de sua mãe, em Pernambuco, que tocava Paulo Sérgio, Reginaldo Rossi e Amado Batista, dentre outros ídolos da música popular. 

A primeira grande chance de brilhar em um palco veio a partir do convite de uma amiga produtora para dar uma canja no show do cantor Canindé, na cidade de Ipirá, em 2008, mas como o cantor só deixou o palco às 3 horas da manhã, restavam poucas pessoas no espaço. Ed não desanimou, entrou em cena e mandou “Vou Pedir Pra Você Voltar”, sucesso de Tim Maia. E não é que o público atendeu ao pedido do refrão da música? Aos pouquinhos, muitos que estavam saindo resolveram voltar ao recinto, atraídos pela voz de Dr. Ed. “O povo voltou e começou a pedir mais músicas e o resultado é que acabei fazendo um show de uma hora e meia”, relata o cantor.

Nesse São João, o Dr. Ed está com agenda cheia e se apresentará em várias cidades da Bahia, mantendo acesa a chama que foi iniciado lá nos idos de 1920, quando Seo Januário, o pai de Gonzagão, já embalava os casais com a sua sanfona de 8 baixos, popularmente conhecida como ‘pé de bode’.

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