sábado, 4 de junho de 2016

Daniela Galli alterna com a própria autora do monólogo “The Other Mozart”, Sylvia Milo, e com a alemã Samantha Hoefer o palco do Players Theatre, em Nova York



O que seria uma rotineira compra de direitos autorais de uma peça estrangeira transformou-se na elogiada participação em uma montagem da Broadway

Interessada em montar no Brasil o monólogo The Other Mozart (A Outra Mozart), que apresenta a irmã do grande compositor austríaco, a atriz Daniela Galli saiu da sala de negociação com um convite para interpretar a própria Nannerl Mozart em algumas apresentações do espetáculo, em Nova York.

"Quando entrei em contato sobre adquirir os direitos de produção da peça no Brasil, Sylvia e Isaac Byrne me pediram para fazer uma audição com base em três cenas da peça em inglês, onde Nannerl aparece em tempos diferentes: quando criança, adolescente e depois mais madura e resignada", conta Daniela. A língua não foi empecilho, pois ela é fluente no inglês

A vida de Maria Anna Mozart, apelidada de “Nannerl”, pode ser considerada uma tragédia. Quando era pequena, Nannerl tinha tanto talento musical quanto Wolfgang Amadeus. Crianças, os dois percorreram a Europa em turnê, sendo aclamados igualmente. Nannerl chegou a ser descrita como superior a seu irmão como instrumentista.

Mas, quando se tornou mulher adulta, apresentar-se em público deixou de ser visto como socialmente aceitável. Enquanto o pai deles, Leopold, fomentava o talento de Wolfgang e o acompanhava em turnês pela Europa, Nannerl era deixada em casa para costurar e procurar um marido. Dois séculos após a morte de seu irmão, Nannerl não passa de uma nota de rodapé na história de Mozart. Como fato biográfico presente na infância e adolescência dele, ela é facilmente esquecida, vista apenas como uma irmã que ele tinha.

É esse monólogo, encenado pela brasileira Daniela Galli, The Other Mozart, que hoje percorre os Estados Unidos, dá voz a essa frustração, reimaginando a narrativa de Nannerl, que é encarnada com cabeleira enorme e personalidade que lembra uma Helena Bonham Carter excepcionalmente animada.

Em recente entrevista Sylkvia Milo, falou sobre a sua visão do monólogo: “Acho que ignoramos metade da história”. As mulheres não se limitavam a ficar em casa. Mesmo apenas com minhas pesquisas, que foram muito voltadas à situação de Nannerl, vi indícios de muitas artistas mulheres que deixaram de ser citadas. Por exemplo, depois da Revolução Francesa houve um período de tempo durante o qual se permitiu que mulheres apresentassem óperas nos teatros de ópera.

Houve muitas óperas de mulheres, mas então a novidade foi sufocada e proibida, e os homens voltaram. É revoltante. Quando estudamos a história do ponto de vista da mulher, fica muito claro que não temos uma visão completa.

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