domingo, 5 de junho de 2016

Coreógrafa Maria Duschenes é homenageada com exposição e série de espetáculos em São Paulo



Desde o dia 27 de abril e até 12 de junho, o público poderá conhecer a vida do casal de educadores e formadores Maria e Herbert Duschenes, que resultou em importante patrimônio imaterial nas áreas de história da arte, da cultura e da dança no Brasil

A 29ª mostra da série Ocupação desta vez é totalmente dedicada aos dois. Maria, bailarina húngara (Budapeste, 1922-Guarujá/SP, 2014), introduziu no Brasil o método de seu compatriota Rudolf Laban (1879-1958), influenciada pelos estudos deste coreógrafo e teórico da dança. Ele, professor de história da arte e arquiteto alemão (Hamburgo, 1914-Curitiba/PR, 2003), deu aulas na Fundação Armando Alvares Penteado, a FAAP, onde lecionou por cerca de 30 anos, desde 1967, e ajudou a formar intelectuais como as artistas Jac Lerner e Leda Catunda, o curador Ricardo Resende e Martin Grossman, que recentemente dirigiu o Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP).

Com curadoria conjunta de Ronaldo Duschenes e Daniel Duschenes – filho e neto do casal –, compartilhada ativa e estreitamente com os núcleos de Educação e Relacionamento, de Artes Cênicas e de Produção do Itaú Cultural, a mostra parte de 24 dos vídeos, em sua maioria Super-8 digitalizados de originais filmados e editados por Herbert.

São registros de momentos pessoais do casal que alimentavam o que depois transportariam para os seus ensinamentos: paisagens diversas, as viagens pelo mundo, rostos, adultos, crianças, movimentos e danças dos lugares visitados.

A Ocupação também traz ao público objetos pessoais do casal, como manuscritos, fotografias originais da família e dos dois. Tudo dá a conhecer em profundidade e reforça o quanto eles se dedicaram e renovaram nos campos da educação, pedagogia, e dança modernas do Brasil, o país que os acolheu, em seus melhores tempos de atuação, dos anos 1940 até 2014.

Maria e Herbert - História


Os dois se estabeleceram no país na década de 1940, exilados da 2ª Guerra Mundial. Aqui se conheceram, se apaixonaram, casaram, tiveram dois filhos e compartilharam o seu interesse comum pela educação. Dedicaram a sua vida a desenvolver formas inovadoras de repartir o seu conhecimento. Por meio dela, retribuíram o acolhimento recebido no Brasil, onde morreram já neste século XXI – ela aos 91 anos, ele aos 88.

Ao introduzir o método Laban no país, Maria revolucionou o modo de fazer dança em um trabalho pioneiro baseado na experimentação, na liberdade e no autoconhecimento. No entanto, ela não parou por aí. Durante 10 anos (1984-1994), coordenou o Projeto Dança/Arte do Movimento, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo nas bibliotecas municipais. Tinha como objetivo demonstrar que a dança originada nas características do próprio movimento humano podia ser acessível a todos.
Aos 22 anos, a bailarina e professora contraiu poliomielite, o que a levou a buscar novas possibilidades de movimento aplicadas diretamente aos seus alunos, J.C. Violla entre eles. Na década de 1950, passou a dar aulas práticas e teóricas em sua casa, no bairro paulistano Sumaré, além de ministrar cursos de formação.

Os anos seguintes foram marcados pela assinatura de importantes coreografias como as dos espetáculos “O Sacro e o Profano: Muitas São as Faces do Homem” (1965) e “Magitex ” (1978).
O casal fazia viagens constantes para o exterior em um tempo em que conhecer o mundo não era tão fácil quanto hoje. Além de se alimentar pessoal e profissionalmente, eles registravam tudo o que viam para levar aos seus pupilos. Herbert produziu centenas de filmes em 8 mm ou super-8 sobre os lugares visitados.

Publicação eletrônica


Estendendo a visita ao universo do casal Duschenes proporcionado pela Ocupação que leva o seu nome, o público tem acesso a uma publicação eletrônica produzida pela equipe do Itaú Cultural, no link www.itaucultural.org.br/ocupacao. A publicação revela mais da história de ambos, além de apresentá-los como casal – no que se refere à parceria intelectual e afetiva.

Os núcleos do instituto para a Educação e Relacionamento, as Artes Cênicas e a Produção de Exposição elaboraram uma série de atividades que acompanham a mostra com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre Maria e Herbert Duschenes. Dentro do espaço expositivo, na série “(Re)conhecendo Duschenes”, realizada durante todos os finais de semana, os educadores do Itaú Cultural conduzem uma conversa sobre a importante atuação do casal no cenário cultural e educacional de São Paulo.

“Partituras para Maria” é realizado as terças e quintas-feiras. Uma série de performances é apresentada em uma espécie de arena que compõe a cenografia. Ainda, o curador Agnaldo Farias abre o projeto “Aula Aberta”, às 19h do dia da inauguração da mostra (27 ) o qual consiste em oito encontros com convidados especiais que viveram experiências significativas com Maria e Herbert.

Serviço:

Ocupação Maria e Herbert Duschenes. De 27 de abril, a partir das 20h, a 12 de junho. De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h. Entrada gratuita. Itaú Cultural, Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô. Telefones: 2168-1776/1777.

Fonte: DIÁRIO REGIONAL

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