sábado, 25 de junho de 2016

40 anos da UEFS: um marco na interiorização do ensino superior na Bahia



Comemorando suas quatro décadas, a Universidade Estadual de Feira de Santana - Uefs, marcou o início das ações que visavam dotar o interior da Bahia de uma instituição de ensino superior já que, até então, todas as faculdades estavam instaladas na capital, Salvador

No final da década de 60, engatinhavam as ações que passavam a ser norteadas pela Teoria do Capital Humano, que entende a educação como um investimento pessoal e social que gera desenvolvimento econômico uma política de educação (plano integral de educação), voltada para a ampliação e expansão do sistema de ensino em todos os níveis. 
Dentro desse prisma, o processo de interiorização teve início com a instalação de Faculdades de Formação de Professores nas principais cidades interioranas, sedes das regiões administrativas do Estado, que passaram a atuar como distritos geoeducacionais.
FUFS

Criada como Faculdade de Educação, em 1970, foi incorporada pela Fundação Universidade de Feira de Santana – FUFS e vinculada à Universidade Federal da Bahia. A FUFS como entidade autônoma foi autorizada instalada, solenemente, no dia 31 de maio de 1976, com o seguinte elenco de cursos: Licenciatura de 1º e 2º graus em Letras – Inglês/Francês; Licenciatura Plena em Ciências, com habilitação em Matemática e Biologia e em Ciências 1º grau; Licenciatura Plena em Estudos Sociais, com habilitação em Educação Moral e Cívica e em Estudos Sociais 1º grau; e mais os cursos de Enfermagem, Engenharia de Operações – Modalidade Construção Civil, Administração, Economia e Ciências Contábeis.

Prédio do CUCA


Com a criação dos Bacharelados em Economia, Contábeis e Administração, iniciou-se a demanda dos candidatos a universitários, cujas oportunidades se restringiam até então, à UFBA, Universidade Católica e Faculdade Visconde de Cairu, todas situadas em Salvador. O primeiro vestibular para os citados cursos se deu no segundo semestre de 1976, cujas turmas registraram uma grande quantidade de alunos de meia idade, que não tiveram, quando jovens, a oportunidade de fazer um curso superior na capital. 
Assim, as salas estavam repletas de empresários, bancários, contabilistas, funcionários públicos, todos já apresentando os cabelos grisalhos, ao lado de alguns jovens. Essa mistura de jovens com alguns já integrantes de um grupo de pais de família, contribuiu bastante para os debates em sala de aula, com um gama de linhas de pensamento que, em muitos casos, geravam acaloradas e frutíferas discussões, notadamente nos campos da política e da economia.

Os quatro primeiros semestres foram feitos no prédio onde hoje funciona o Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA, até que as primeiras obras do campus do Portal do Sertão ficassem no ponto de receber os três cursos, o que ocorreu em 1978, com a instalação inicial dos cinco primeiros módulos.

Ditadura militar

Como estávamos em pleno regime da ditadura militar instalada em 1964, na luta por melhores condições de ensino, alguns alunos ensaiaram aquele que seria o embrião do primeiro movimento grevista, mas foram de logo demovidos da idéia sob pena de prisão afinal, estava em vigor a norma militar que classificava as greves de qualquer espécie como ilegais e, dessa forma, sujeitava os participantes à prisão e instauração do competente inquérito militar.

No início dos anos 80 e, claro, durante a vigência da ditadura, verificou-se um fato que se tornou um marco na UEFS. Um determinado professor de Economia que era Capitão do Exército, chegou à sala de aula para aplicar uma prova, fardado e com todos os galões inerentes à sua patente. Distribuiu as folhas de respostas, colocou o quepe, cruzou os braços atrás das costas e, sem esquecer o óculos Ray Ban Aviador, ficou de pé no meio da sala, em posição de sentido. Muitos alunos entregaram a prova em branco, uns tantos rabiscaram algumas palavras e pouquíssimos responderam a prova na sua plenitude. Resultado: apenas duas anotas acima de 6 e a prova acabou sendo anulada.

De FUFS a UEFS


Em dezembro de 1980, no bojo de um processo de Reforma Administrativa do Estado, é extinta a Fundação Universidade de Feira de Santana – FUFS –, através da Lei Delegada nº 11, de 29.12.80, sucedida pela Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS e como Universidade, a instituição engaja-se no sentido de garantir a sua realização como espaço livre e autônomo de criação de conhecimento, de convivência dialética e de constante avaliação crítica, tornando-se uma universidade integrada em si mesma e à sua região: cresce institucionalmente, amplia a área de influência e atuação, aperfeiçoa o processo acadêmico, consolida o campus.

Vale ressaltar que, enquanto FUFS, o ensino era custeado pelos estudantes e a mensalidade não era das mais acessíveis, o que limitou bastante o número de candidatos nos primeiros vestibulares. Restava a opção do Crédito Educativo, - o FIES de hoje, - que, além de pagar à Fundação, ainda disponibilizava uma determinada quantia para o aluno se manter. Apenas quando se tornou UEFS, o ensino passou a ser gratuito, bancado pelo Estado.

Com o funcionamento pleno de todos os módulos, a Universidade Estadual de Feira de Santana decidiu pela criação do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), destinado a ocupar toda a área da antiga escola, com cerca de 1200 m2, e do próprio prédio da Escola Normal. Este prédio foi então adaptado para receber o Museu Regional de Feira de Santana, outra entidade independente, nascida em 1967, que tendo sido incorporada à UEFS, e rebatizado como Museu Regional de Arte, em 1995, passou a ter no CUCA a sua sede atual e, ao mesmo tempo, conferir a identidade visual do principal órgão de cultura da Universidade e da sociedade feirense.

Ao longo desses 40 anos, a UEFS expandiu-se e concentrou suas ações no centro-norte baiano, território que integra o semi-árido, está presente em cerca de 150 municípios baianos, em cumprimento do seu objetivo social que é preparar cidadãos para o mundo.

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