quinta-feira, 5 de maio de 2016

Livro que pertenceu à autora do “Diário de Anne Frank” é arrematado em leilão por US$ 62,5 mil

Um livro de contos de fadas dos irmãos Grimm com a assinatura de Anne Frank, a célebre adolescente judia morta no Holocausto, foi leiloado em Nova York nesta quinta-feira (5) por US$ 62,5 mil, quando tinha avaliação inicial entre US$ 20 mil e US$ 30 mil

A edição em língua alemã dos contos de fadas dos irmãos Grimm está bem gasta e inclui clássicos como Branca de Neve e Joãozinho e Maria. O livro pertencia a Anne Frank e sua irmã Margot, antes de elas se esconderam numa casa em Amsterdã, para escapar dos nazistas em 1942.

Famosa por manter um diário enquanto estava em seu esconderijo, Anne Frank também escreveu, nessa pequena coletânea de contos de fadas, o seu nome e o de Margot numa folha em branco no início do livro. Além disso, as letras MF (para Margot Frank) estão estampadas em lilás na parte interna da capa.

De acordo com a casa de leilões nova-iorquina, o livro, p
ublicado originalmente em 1925, foi deixado para trás, no apartamento em Amsterdã, quando a família Frank foi presa e deportada para um campo de concentração.

O "Contos de fadas dos irmãos Grimm" que pertenceu a Anne Frank foi avaliado entre 20 mil e 30 mil dólares. Pouco após a guerra, ele apareceu numa loja de livros usados e foi comprado por um casal holandês. Os filhos do casal viram a inscrição em 1977 e contataram o pai de Anne, Otto Frank.


Memórias da guerra

Após ser deportada para Auschwitz, Anne Frank seguiu para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde veio a morrer em 1945, enquanto Otto Frank foi o único membro da família a sobreviver o Holocausto.

Ele escreveu uma carta à família que encontrou o livro, expressando a sua comoção por saber da descoberta do volume e dizendo que eles poderiam mantê-lo em sua posse.

Um diário como companheiro


Em 1933, Anne Frank e a família fugiram da Alemanha para Holanda. Para escapar dos nazistas, eles tiveram de se esconder durante a Segunda Guerra Mundial. Viveram dois anos nos fundos de uma casa em Amsterdã. Mas alguém denunciou o esconderijo, e, em 4 de agosto de 1944, a família foi descoberta, presa e deportada para o campo de extermínio de Auschwitz.

Pouco antes de ir para o esconderijo, Anne tinha recebido um diário de presente de aniversário. Ela começa a escrever imediatamente e, durante o seu tempo no esconderijo, escreve sobre os acontecimentos no Anexo Secreto bem como sobre si mesma. O seu diário é um grande apoio para ela. Anne também escreve contos e coleciona as suas frases favoritas de outros escritores no seu Livro de Belas Frases.

Anne escreveu naquele que se tornaria o famosíssimo “Diário de Anne Frank”, que queria tornar-se escritora ou jornalista e que gostaria de ver o seu diário publicado como um romance. Amigos de Otto Frank o convenceram da grande expressividade do diário e, em 25 de Junho de 1947, "O Diário de Anne Frank" é publicado numa edição de 3.000 exemplares. Seguem-se a esta, muitas outras edições, traduções, uma peça de teatro e um filme.

Pessoas de todos os lugares do mundo passam a conhecer a história de Anne Frank. Ao longo dos anos, Otto Frank responde a milhares de cartas de pessoas que leram o diário da sua filha. Em 1960, a Casa da Anne Frank torna-se um museu. Otto Frank permanece envolvido com a Casa Anne Frank e com campanhas pelo respeito dos Direitos Humanos até a sua morte, em 1980.

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