quarta-feira, 11 de maio de 2016

Festival de Cannes 2016: Woody Allen retorna à abertura do evento com o controverso “Café Society”



“Café Society” está longe de uma pretensa unanimidade. Uns o classificam como ‘morno’, outros afirmam que esse é o melhor trabalho de Woody Allen desde ‘Meia Noite em Paris”. É com esse longa que o laureado diretor abre uma dos mais prestigiados eventos da sétima arte, o Festival de Cannes

Com orçamento estimado em cerca de US$ 30 milhões, gasto em locações em Nova York e Los Angeles, em 2015, Café Society, o novo longa-metragem do mítico diretor americano Woody Allen, garantiu ao Festival de Cannes uma das aberturas mais elegantes de toda a história de seu festival anual, que iniciou nesta quarta sua edição número 69 embalado como presente para a comunidade cinéfilo nas sofisticadas imagens do fotógrafo romano Vittorio Storaro. 

É ele quem assina a fotografia deste drama romântico de pontuação cômica beeem rarefeita que se impõe como o trabalho de maior requinte visual de Allen desde Match Point - Ponto Final(2005). Mais bonitos que os enquadramentos só os sorrisos e os olhares de Kristen Stewart, como Vonnie, uma das mais complexas heroínas amorosas da obra do diretor de Annie Hall - Noivo Neurôtico, Noiva Nervosa (1977).

Em sua estrutura dramática agridoce, na qual a melancolia sobrepuja o riso, sem prejudicar a leveza, Café Society subverte traços habituais do olhar autoral de Allen, rompendo a linha de fragilidade habitual de seus casais. Aqui, o progresso profissional de Bobby em Hollywood, nos anos 1930, e depois na alta roda de Nova York tem um peso tão grande quanto seus sentimentos. Estamos diante de uma jornada que ultrapassa seu querer por Vonnie, embora esta nunca saia de sua mente. Ela também ganha contornos mais sólidos - e até feministas - do que o padrão das mocinhas do diretor.

"Nos anos 1930, a América produzia um cinema dominado por estúdios, numa estrutura muito competitiva, onde cão comia cão, implacavelmente. Leia os romances de Scott Fitzgerald e você encontrará esse ambiente, que, apesar de tento, gerou filmes seminais, mais possantes que os de hoje", diz Allen, que faz a narração de Café Society. "Eu concebi a trama com uma estrutura literária de romance, no qual distintos personagens têm sua própria história e seu próprio destino, em paralelo à trajetória de Bobby. Como autor, isso me deu a tentação de eu mesmo narrar. Era pegar o roteiro e ler. Simples".

Rouba a cena o irmão bandido de Bobby, o gângster de bom coração Ben, vivido por Corey Stoll. Embora garanta ao longa certo alívio cômico, ele introduz um toque de violência e sangue ao universo quase sempre lúdico de Allen.

Com a projeção de Café Society foi dada a largada para a seleção oficial de Cannes, com 21 longas em concurso, incluindo Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que passa dia 17. O primeiro concorrente do ano a ser exibido será o romeno Sieranevada, de Cristi Piu.

Referência: Omelete/UOL

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