sexta-feira, 6 de maio de 2016

Celebrando seus 40 anos de carreira, Raimundo Fagner segue navegando entre a MPB regional e o romântico indo de “Canteiros” a “Borbulhas de Amor”



O último disco de Fagner foi Pássaros Urbanos, de 2014, onde o cearense realçou um artista essencialmente romântico, mas que sempre transitou pelo Brasil urbano e sertanejo, um pouco diferente do irrequieto jovem dos tempos do Pessoal do Ceará
Com sucesso inicial restrito aos circuitos universitários, Fagner lançou o primeiro LP, Manera Fru Fru, Manera, o em 1973, incluindo "Canteiros", um de seus maiores sucessos, música sobre poesia de Cecília Meireles. No final da década de 70, lançou mais dois discos: Eu Canto (1978) com outro poema de Cecília Meireles – "Motivo", musicado por Fagner e mesmo tendo os créditos da poetisa o disco enfrentou problemas com os herdeiros e teve de ser relançado com a música "Quem me levará sou eu" no lugar de "Motivo"; e Beleza (1979).

Com referência nos elementos da cultura brasileira e nordestina, a partir de Pássaros Urbanos, o cantor buscou uma sonoridade mais contemporânea, sem abrir mão das suas origens e sempre em companhia de bons instrumentistas e compositores como é o caso Fausto Nilo e Clodo Ferreira, coautor de Revelação, grande sucesso de Fagner, no final da década de 70.

40 anos de estrada
Nas quatro décadas de andança, cultivou parceiros como Zeca Baleiro, e teve sua trajetória ligada a artistas que pertencem à "nação nordestina", como é o caso de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gordurinha, Jackson do Pandeiro e Osvaldinho do Acordeom.

Nos seus shows, estão as figurinhas carimbadas do porte de Borbulhas de Amor, Oração de São Francisco, Canteiros, Deslizes, Espumas Ao Vento, Fanatismo, Noturno (Coração Alado), Pedras Que Cantam e Retrovisor, mas há espaço também para sucessos dos parceiros como é o caso da antológica Paralelas, de Belchior, que ganhou uma interpretação mais acelerada, em relação à original. Fagner explica que a canção entrou no repertório dos shows por representar bem o símbolo poético do homem cosmopolita, engessado entre o amor e urgência dos grandes centros urbanos na sobrevivência do dia a dia.

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