terça-feira, 12 de abril de 2016

Sem desfrutar da mesma fama de um Renoir ou um Rembrandt, Nicolas Poussin ocupa lugar de destaque na galeria de pintores franceses, tornando-se referência para diversos artistas



Poussin, artista símbolo do classicismo francês, soube harmonizar razão e poesia em suas telas, destacando-se pela sensibilidade dos movimentos e das cores dos personagens, dividindo o espaço com o rigor matemático das paisagens


Um dos maiores representantes do classicismo do século XVII, Poussin trouxe para a arte clássica tanto um rigor intelectual e matemático quanto a sensibilidade de uma poesia visual única em seu período. Durantes os séculos seguintes, seu trabalho foi inspiração para artistas como Jacques-Louis David, Paul Cézanne e Pablo Picasso.

Nicolas Poussin nasceu na França em 1594 e faleceu em Roma em 1665. Seu desejo em ser artista despertou com a visita de um pintor a sua aldeia. Ambicionando seguir carreira, mudou-se para Paris, mas não conseguiu pagar a bons professores e acabou por estudar com pintores menores.

Poussin desprezava o realismo e a superficialidade acadêmica. Suas pinturas possuem uma distribuição calculada da estrutura pictórica, incomum no século XVII. Nesse distribuir matemático das composições, o artista jogava com o equilíbrio das massas, com o balanço dos planos e das luzes. Os volumes, os planos, o claro-escuro e o colorido raro são orquestrados com habilidade e grande segurança. Era praticamente um escravo das noções clássicas de pureza, grandiosidade e distância, e, no entanto, possui a vivacidade plástica e o movimento melódico.

Rigor geométrico

Poussin criou obras de grande rigor formal, procurando enredos na Bíblia e na mitologia. Sua pintura é clássica, cartesiana, apresentando também certo vigor barroco. Influenciado por Ticiano, assimila características românticas e poéticas que se refletem nas obras "Pastores da Arcádia" e "Inspiração do poeta".

Depois, tomou Rafael como modelo e desenvolveu um estilo no qual predominam o equilíbrio, a simetria, a razão. Usa mitos da Antiguidade para exprimir verdades morais, exaltando heróis que rejeitam o vício em favor da virtude.

Poussin cultiva um estilo austero, calculado, dividindo suas telas com rigor geométrico. As figuras humanas são quase sempre secundárias, servindo de pretexto para a criação de paisagens elaboradas, nas quais os elementos naturais são ordenados com a precisão de uma arquitetura.

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