sexta-feira, 15 de abril de 2016

O poder do dinheiro e suas relações com o capitalismo, o socialismo e as relações humanas



Na parte do mundo chamada de ‘capitalista’, o dinheiro é a energia vital que movimenta a vida na dimensão física ou terrena. Com dinheiro todos têm uma vida boa, sem ele, temos privação. Por isso, a sociedade acostumou-se a buscá-lo mais que tudo na vida e as pessoas passam a vida, inutilmente, apegadas a ele

O que determina o poder de uma nação ou de uma pessoa? No mundo capitalista, o dinheiro é o mais poderoso dos fatores.O dinheiro passou a ser o foco da maioria das pessoas que vivem na Terra, simplesmente porque quando a privação vem, junto com ela vem o sofrimento, as doenças, as carências e mais uma série de consequências negativas.

Resquícios da crise mundial, bancos avaliando juros altíssimos e o mundo se “acabando” para tentar se reestruturar economicamente, os olhos de tantos países sempre voltados para a China pelo seu poder de capital - embora seja um país teoricamente socialista - são pequenas mostras do poder do dinheiro.

Uma questão de cultura

Nesse cenário, os artistas Shao Yinong e Muchen Debuting lançam na Bienal da Arte de Singapura a coleção de 12 tapeçarias em tamanho gigante que reproduzem as notas da antiga China, do Vietnã, da Alemanha, da Rússia e da União Soviética, países que entre 1989 e 1992 deixaram de se definir como socialistas.

Nestas tapeçarias, Shao Yinong – idealizador e criador – une a técnica clássica e milenar do bordado Suzhou com as imagens de homens públicos, poderosos, estampas das moedas e dos governantes, deuses e monumentos, refletindo sobre o poder do dinheiro nas culturas socialistas – já extintas – e ironicamente as retratando com a arte “simples” do bordado que se mantém vivo até hoje.

Na leveza da técnica Suzhou vemos representações detalhadas bordadas em seda fina com relevo aparente. A maior parte das moedas ilustradas na obra de Shao Yinong já foi substituída; as nações, seu socialismo e cultura, antes fortes, foram extintos, e estão expressos nesse trabalho tão delicado que reflete a fragilidade do poder político e econômico. Talvez a leveza do bordado Suzhou, que ainda vive, se mostre mais forte que cada um dos poderes representados nestas moedas.

Os chineses, que criaram no século XI o conceito de “dinheiro” tal como hoje o conhecemos (o papel-moeda), vêm nos últimos anos abortando a ideia do socialismo e cedendo às características do sistema capitalista, assim como fez a República Socialista do Vietnã. Esse novo capitalismo, denominado “socialismo com características chinesas”, revela que até os conceitos rígidos e milenares da cultura chinesa – tida como uma das mais sólidas do mundo – vem se curvando ante o poder do dinheiro.

Dessa forma, mesmo os chineses começam a entrar nessa busca intensa pela conquista da prosperidade material que passou a ser muito mal vista por muitas pessoas. Assim, como “heróis da resistência”, parte dos integrantes da cultura da China vem se juntando a outros povos que, lentamente, vem se permitindo acreditar que o ser humano deve se confortar em obter condições financeiras apenas suficientes para uma vida média, pois desta forma estariam imunes a decadência moral daqueles que se perderam na corrida pela riqueza.


Atribui-se aos chineses o provérbio abaixo:

O poder do dinheiro “Ele pode comprar uma casa, mas não um lar. Ele pode comprar uma cama, mas não o sono. Ele pode comprar um relógio, mas não o tempo. Ele pode comprar um livro, mas não o conhecimento. Ele pode comprar um título, mas não o respeito. Ele pode comprar um médico, mas não a saúde. Ele pode comprar um sangue, mas não a vida. Ele pode comprar o sexo, mas não o amor.”

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