segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Mito de Sísifo e a sua relação com o comportamenrto social na contemporaneidade

O mito de Sísifo é um ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1941 é uma das mais incríveis narrativas míticas ,gregas, que mostra como ocorreu um episódio de punição devido à esperteza de Sísifo que enganou os deuses e foi condenado a um trabalho sem fim

Sob o prisma de Camus, a vida dos homens era tal como o mito de Sísifo: seguir uma rotina diária, sem sentido próprio, determinada por instâncias como a religião e o sistema capitalista de produção. No mundo administrado, levantamos de manhã, trabalhamos, comemos, reproduzimos etc., e tudo isso não faz o menor sentido, já que se refere a modos de pensar que se impõem ao indivíduo sem que ele participe da estruturação desse modo de vida, como se não tivéssemos escolhas.

No âmago, a lição que podemos extrair da narrativa de Camus, é que o mito serve para mostrar que, seguindo as ideologias dominantes, seremos punidos com a mesmice, com o sentido heterônomo. Dessa forma, devemos ficar atentos para a compreensão sobre a liberdade e a responsabilidade humana com relação à sua vida, ao seu mundo e aos outros e entendermos que não há necessidade dessa busca desenfreada por aquilo que a sociedade contemporânea chama de ‘sucesso’ e sim nos preocupar em descobrir qual a nossa verdadeira missão no mundo terreno.

Abaixo, um resumo sobre a obra de Albert Camus, de autoria de Augusto Sperchi




O mito de Sísifo

Sísifo era um pastor de ovelhas e filho de Éolo, o deus dos ventos. Era tido como a pessoa mais ardilosa que já existiu. Morava num povoado chamado Éfira e, ao melhorar as condições do lugar, passou a chamá-lo de Corinto, que mais tarde se tornou uma grande cidade. Casou-se com Mérope, filha do deus Atlas e que compõe uma das plêiades.

Um dia, Sísifo percebeu que seu rebanho diminuíra. Estava sendo roubado. Então, marcou suas ovelhas, seguiu o rasto delas e foi dar na casa de Autólico. Arrolou testemunhas da ladroagem e enquanto os vizinhos discutiam sobre o roubo, rodeou a casa em busca de mais alguma ovelha e encontrou a filha do ladrão, Anticleia. Seduziu-a e a engravidou, vingando-se do malfeitor.

Voltando para casa, Sísifo, que andava sempre escondido, presenciou Zeus, o deus do Olimpo, raptando Egina, filha de Asopo. Não deu outra, aproveitando-se do fato, Sísifo, em troca da construção de um poço para sua cidade, entregou o deus sedutor. Claro que Zeus ficou sabendo que Sísifo o tinha dedurado, então pediu que seu irmão Efaístos o levasse para o Hades, mundo subterrâneo onde viviam as almas condenadas.

Pressentindo a fúria de Zeus, Sísifo pede à esposa que não o enterrasse após sua morte e, chegando ao Hades, arma uma cilada para Efaístos e o aprisiona. Conversa com Perséfone, a esposa do deus, e a persuade a deixá-lo voltar e organizar o seu funeral, além de punir os que negligenciaram seu enterro. Ela lhe concede a volta por apenas três dias. Mas, voltando à superfície, ele passa a viver normalmente com sua esposa, como se nada tivesse acontecido.

Vendo aquele absurdo, pois ninguém deveria enganar a morte, Zeus ordenou que Hermes o conduzisse novamente ao Hades e que lá recebesse um castigo exemplar. Deveria rolar uma enorme pedra morro acima, até o topo. Porém, chegando lá, o esforço despendido o deixaria tão exangue que a pedra se lhe soltaria e rolaria morro abaixo. No dia seguinte, o processo se daria novamente, e assim pela eternidade, como forma de envergonhá-lo pela sua esperteza em querer enganar os deuses e a morte.

Esse mito narra o esforço inútil de uma pessoa, seu árduo e rotineiro trabalho, que nunca será concluído. Também fala do desejo humano de ser eterno, como os deuses, vencendo a morte.

Quantas pessoas estão rolando pedra morro acima? Quantas insistem num caso que nunca terá solução? Ou teimando em mudar outra pessoa para se satisfazer? Exercendo uma função rotineira e vazia? Quantas se acham num martírio sem fim? A maioria? Quantas vivem sob o domínio das ideologias sem questioná-las? Quanto dinheiro é gasto no inútil esforço de parar o tempo e se tornar jovem para sempre?

Até aqui tudo parece ser absurdo, pois quando se tenta reduzir a impossibilidade do mundo a um princípio racional e razoável, nada faz sentido. Mas, levar a sério até o que é absurdo, é reconhecer a contradição entre o desejo da razão humana e da insensatez do mundo. Sem o homem, não há absurdo. Então, por que viver uma vida vã e inútil? Ora, o que conta não é a melhor vida, mas como se deve vivê-la. Daí a liberdade. Todavia, para a maioria, ela também é um absurdo e libertar-se é preciso.

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