terça-feira, 5 de abril de 2016

Matheus Nachtergaele cria um monólogo com poesias de sua mãe e se apresenta no Recife PE



Diante de um pergunta, Matheus Nachtergaele diz que é relativo afirmar que não conheceu sua mãe. Posso dizer que, enquanto éramos uma coisa só, eu estive com ela. Maria Cecília cometeu suicídio em 1968, quando o pequeno Matheus tinha apenas três meses 

O aparente erro ortográfico contido no título, na verdade, é proposital. “Desejar é um pressuposto da vida. Todo ser vivente deseja algo que falta, seja comida, proteção, sexo, fé ou qualquer outra coisa. Eu passei a vida desejando construir a imagem da mamãe para mim. Então, eu decidi fazer um concerto, já que poema também é música. Mas ao mesmo tempo eu estou consertando a minha falta. 
Acredito que a minha relação com a ausência da minha mãe já está sendo muito diferente ao longo desse processo”, afirma o ator.A ausência da mãe marcou de forma profunda e dolorosa a vida de Matheus Nachtergaele. O ator paulistano tinha apenas três meses de idade quando Maria Cecília Nachtergaele morreu, aos 22 anos, em 1968. 
As poucas referências que o fazem imaginar quem era essa figura materna estão nos poemas deixados por ela e entregues a ele pelo pai na adolescência. Essas palavras escritas pela mãe agora são ditas por Matheus no palco. “Processo de ‘conscerto’ do desejo” dá a largada à maratona da 22ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos, com sessões nesta sexta e sábado, às 21h, no Teatro de Santa Isabel.

Recital e canto
Matheus sobe ao palco para recitar um total de trinta poemas, além de cantar músicas que sua mãe amava ouvir, acompanhado dos músicos Luã Belik, no violão, e Henrique Rohrmann, no violino. Em determinado momento, o ator usa um figurino que faz referência ao vestido preto com o qual Maria Cecília foi enterrada e que ela planejava usar no dia do batizado de seu filho. “Não é um show inebriante, cheio de elementos visuais. É um solo simples, se é que um ator vestido como a sua mãe e dizendo os poemas dela é uma coisa simples”, argumenta.

A ideia de compartilhar com o público a obra literária de sua mãe passa pela cabeça de Matheus há muito anos, mas só no ano passado, quando recebeu um convite do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, é que ele resolveu levar a proposta adiante. “De certa forma, esse momento é a maturação de um processo antigo. Leio esses textos desde os meus 16 anos. Eu finalmente me sinto em paz para poder dar voz ao que se calou e luz ao que era triste. O mais bonito disso tudo é que eu mal conheci minha mãe e agora, de certa forma, nós estamos juntos nessa peça”, diz.

Referência: folhape

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