sábado, 30 de abril de 2016

Marguerite Duras, a mulher que se destacou como romancista, novelista, roteirista, poetisa, diretora de cinema e dramaturga é tida como uma das principais vozes femininas da literatura do Século XX


Uma vida por Escrito", de Frédérique Lebelley, o livro sobre a vida de Marguerite Duras,a autora do best seller mundial "O Amante", provocou polêmica na França quando foi publicado. A própria Duras o repudiou violentamente para depois fazer as pazes com sua biógrafa.

Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) nasceu em 1914, em Gia Dihn (Vietnã), onde passou sua infância e adolescência. Após a morte do marido, em 1918, a mãe de Duras conseguiu uma pequena concessão de terra no Camboja (então colônia francesa), mas o terreno se mostraria incultivável e sua família viria a perder quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Duras. É a respeito dessa época uma de suas obras mais importantes, Barragem Contra o Pacífico (1950).

Aos 18 anos, mudou-se para Paris, para concluir seus estudos. Em 1939, casou-se com o poeta Robert Antelme. Durante a Segunda Guerra, tomou parte na Resistência Francesa à invasão nazista. Muito tempo depois, em maio de 1968, participou da ação revolucionária de estudantes e escritores da Sorbonne.

Entre suas obras de maior destaque estão O Amante (1984), que lhe rendeu o Prêmio Goncourt - o mais importante da literatura francesa -, O Deslumbramento (1964) e A Dor (1985). Depois do sucesso de Hiroshima Mon Amour (1960), passou a dirigir seus próprios roteiros cinematográficos. Entre seus trabalhos mais importantes para o cinema estão Nathalie Granger (1972) e Son Nom de Venise dans Calcuta Désert (1976).

Marguerite Duras morreu no dia 3 de março de 1996, em Paris.

“O amante”



Esse best seller de alcance mundial é uma obra de uma vasta profundidade humana, o sumo das experiências de uma vida intensa, um livro extremamente denso e, sobretudo, estranho. Para narrar a história, a autora parte de uma observação sobre seu rosto, atualmente: “Tenho um rosto dilacerado por rugas secas e profundas, sulcos na pele. Não é um rosto desfeito, como acontece com pessoas de traços delicados, o contorno é o mesmo mas a matéria foi destruída. Destruído” (DURAS, 1985, p.8). Após a observação, Duras estabelece as origens de uma menina branca de quinze anos e tenta identificar traços entre a personagem na adolescência e na vida adulta.

Duras, logo de início, tenta definir seu livro — que perpassa entre 1932 e 1949, em Saigon, época relativa à sua adolescência, mas que se estende à vida adulta, em Paris — e nos situar.


[…] A história de uma pequena parte de minha juventude, já escrevi mais ou menos, quero dizer, já contei alguma coisa sobre ela, falo aqui daquela mesma parte, a parte da travessia do rio. O que faço agora é diferente, e parecido, antes falei dos períodos claros, dos que estavam esclarecidos. Aqui falo dos períodos secretos dessa mesma juventude, das coisas que ocultei sobre certos fatos, certos sentimentos, certos acontecimentos.(DURAS, 1985, p.12.)

E o que seriam os períodos secretos? Esta obra de Marguerite Duras, considerada autobiográfica, narra a sua iniciação sexual, aos quinze anos e meio, com um chinês rico de Saigon, doze anos mais velho que ela. A obra apresenta diversos encontros da menina branca com o amante chinês, são momentos intensamente prazerosos e tristes. No entanto, não sabemos se as personagens são reais e até que ponto os fatos são reais. A escrita transcende, é impossível saber se a história é verídica, de fato. Duras fala de si mesmo, mas como se estivesse falando de uma personagem qualquer.

A família da jovem, no romance, figura entre o amor e ódio, entre a miséria material e riqueza afetiva. Os membros da família constituem uma existência trágica e triste: a presença da mãe louca; o irmão mais velho, cruel, oportunista e ladrão; o irmão mais novo, frágil e oprimido. Situam-se entre a desgraça financeira e a desgraça moral.

Ler o livro é como ver uma série de imagens incrivelmente belas e, também, dolorosas. Somos tomados pelos fluxos de memória e sentimentos contraditórios da obra. A autora comenta episódios intensos do relacionamento com seu amante, no entanto, de maneira contida e lacunar.

O amante nos leva a um inquietante questionamento: por que, afinal, retomar essa história depois de tantos anos? Possivelmente, pelo fato que a relação tem grande importância pra sua vida, a relação despertou nela a consciência do poder em suas mais variadas formas, a paixão permitia que ela conseguisse o que queria do amante: dinheiro, presentes, jantares e cuidados.

Em O amante, Marguerite Duras relata uma estranha relação sexual, uma estranha primeira experiência, retrata imagens belas e fortemente tristes, passagens curtas e até mesmo fragmentadas. A memória é traiçoeira? É aí que a ficção nos dá a liberdade de escolher o que tomaremos como verdade.

Referencia: Homo Literatus

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