quarta-feira, 13 de abril de 2016

“Cozinhar e coçar: é só começar...” | É cada vez maior o contingente que se dedicar aos prazeres da culinária



O que era uma tarefa enfadonha, hoje é um momento de prazer. É cada vez maior o número de pessoas que põem a mão na massa para preparar para si mesmo, para a família ou para convidados e compartilham a experiência de revisitar a cozinha de casa

Alguns acham que cozinhar é um ato contraditório, principalmente num tempo em que os detalhes são sucumbidos a todo o momento por imposições modernas. Nunca se viu tantos programas culinários num momento em que quase ninguém possui tempo e paciência para fazer sua própria comida. 
O que comemos foi terceirizado, grosso modo, nos restaurantes, bares e botequins, dos mais sofisticados aos simples, que se multiplicam a cada esquina das grandes cidades.O ato de cozinhar pode se tornar algo prazeroso quando se mescla cheiros, tempos, texturas, cores e sabores e é ativado quando a gente se dispõe a acender o fogo e prover algum conforto para alguém. É um reencontro com uma ancestralidade que está guardada em nossas casas da memória.

É um grande contra senso, principalmente quando se encontram inúmeras referências bibliográficas, séries, documentários, programas de TV e até best sellers em que o ato de preparar o alimento se torna espetáculo e arte. Claro que cozinhar, - e bem, - é um fenômeno de contemplação e divertimento que pode ser compreendido como algo espetacular. 
Entretanto, é cada vez mais comum alguém fazer um cursinho de 3 meses e se achar um chef. Aí ele começa produzir de forma irrefreável, uma série de pratos que não serão consumidos por ninguém e que atendem a um papel de adorno televisivo. Alguns querem cozinhar de forma real, mas é grande a parcela dos querem parecer que cozinham.

Cozinhar X tempo

Sinal dos tempos: falta tempo para preparar as refeições, mas sempre sobra um pouco para ver o que acontece no Facebook, acompanhar o Instagram ou assistir mais um episódio daquela série. Para algumas mulheres, às vezes é motivo de orgulho dizer que não aprenderam a cozinhar. De tanto ver as mães no fogão, associaram a tarefa à submissão feminina, um estigma infeliz e difícil de ser quebrado.

Um em cada três jovens entre 18 e 25 anos não sabe sequer cozinhar um ovo e o máximo que eles se aventuram na cozinha é na “difícil arte” de preparar um miojo. Provavelmente com o início das aulas, quando muitos deles serão obrigados a morarem sozinhos ou com amigos por causa da faculdade, muitos viverão à base desse mesmo miojo, pizza, sanduíche e os malfadados refrigerantes.

Parece ironia, mas uma das fases em que mais precisariam de energia para aguentar o tranco e manter o cérebro afiado, vão estar com o corpo ocupado demais digerindo todas as porcarias que os mantêm em funcionamento.
Gastronomia em alta

Apesar desses números pessimistas, a gastronomia está em alta. Não faltam programas de TV, livros, sites e cursos sobre culinária. Muita gente até se empolga, faz uma graça no fim de semana para os amigos ou um charme para o novo affair, mas findo o entusiasmo, a cozinha volta a ficar subutilizada. É interessante observar o quanto as pessoas que já saíram da vida universitária ou casaram gastam em cozinhas incríveis, planejadas, com mil e uma utilidades e pouco aproveitamento. Para ferver água, esquentar leite ou fazer café? O indefectível microondas.

Claro que, felizmente, existem pessoas que reconhecem a importância de cozinhar e encontram formas de manter esse hábito vivo no dia a dia, apesar do implacável buraco negro do tempo que também as persegue. Quem se aventura pelo mundo das panelas dificilmente se arrepende. Vais entrar nessa?

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