domingo, 10 de abril de 2016

Com cerca de uma dezena de museus fechados, São Paulo mostra o descaso pela cultura



Em janeiro passado, São Paulo completou 462 anos, mas a maior metrópole brasileira ainda tem uma triste lacuna a preencher que é o fato de vários museus da cidade vedados à visitação pública, com instituições fechadas desde 2010 e até outros com previsão de reabertura para 2020

As causas são várias, desde incêndios, passando por problemas estruturais, até obras que custam a ser concluídas e desativações, simplesmente. A desoladora situação de alguns equipamentos culturais de São Paulo mostram bem o descaso do Estado pela cultura e preservação do patrimônio histórico que, a rigor, é um cabedal da comunidade.

Museu do Teatro Municipal

Equipamento que funcionava sob o Viaduto do Chá, na Praça Ramos de Azevedo, ao lado do próprio Municipal, foi inaugurado em 1983 e oferecia a pesquisadores uma hemeroteca, programas de espetáculos antigos, fotos históricas, além de alguns figurinos – não era preciso agendar horário para visitação. Atualmente, o prédio está fechado e pichado.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura informa que o acervo foi transferido e incorporado ao Centro de Documentação e Memória do Teatro Municipal, na Praça das Artes, na vizinha Avenida São João. Entretanto, o acesso se dá apenas mediante agendamento prévio.

Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo


Destruído por um incêndio em fevereiro de 2014, o centro cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, no bairro da Luz, passa por obras de recuperação e reconstrução. De acordo com cronograma exposto pela diretora institucional do Liceu, Patrícia Loureiro, os trabalhos foram iniciados no fim do ano passado, com previsão de conclusão até dezembro de 2016.

Fundado em 1873, o Liceu é uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade. É mantido pela iniciativa privada, sem fins lucrativos. “De um total de 38 esculturas que estavam expostas, por ora três são dadas como desaparecidas”, conta o restaurador Julio Moraes.

Museu da Língua Portuguesa

Também vítima de incêndio no mesmo bairro da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, o histórico prédio da Estação da Luz, ainda passa por ações emergenciais e não têm previsão de reabertura. Atualmente,

estão sendo feitos trabalhos de impermeabilização das lajes expostas, a instalação de sistemas de drenagem e a construção de uma sobre cobertura provisória

Palácio dos Campos Elísios

Tendo o Castelo de Écouen, de Paris como inspiração, o Palácio dos Campos Elísios foi inaugurado como um marco arquitetônico do País em 1899, na Avenida Rio Branco. Projetado pelo arquiteto alsaciano Matheus Häussler, a pedido do barão do café Elias Pacheco Chaves. De 1912 a 1965, foi sede do governo do Estado. Em seguida, várias secretarias ocuparam o palacete – a última, até 2006, foi a de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento.

Ainda no longínquo governo de José Serra (PSDB), ele anunciou na época que o mesmo seria restaurado e funcionaria como uma subsede do Palácio dos Bandeirantes. A reforma começou em 2008. De lá para cá, algumas mudanças. O palacete foi transferido para a Secretaria de Estado da Cultura em 2012. A ideia é transformá-lo em equipamento cultural.

Teatro Cultura Artística

Mais um patrimônio histórico destruído por incêndio, um marco cultural importante do centro de São Paulo, o Teatro Cultura Artística, está fechado desde 2008. “O incêndio atingiu o prédio e instrumentos da Cultura Artística. Não havia obras de arte no prédio. Já o acervo documental da instituição, composto de programas de concertos e fotografias arquivados durante mais de 100 anos não sofreu qualquer dano no incêndio e atualmente está sendo digitalizado”, informa o superintendente da instituição, Frederico Lohmann. Ele informa que a previsão de reabertura do Cultura Artística é, pasmem, para 2020.

Referência: Estadão

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