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quinta-feira, 10 de março de 2016

186 anos de Antonio Conselheiro | Meio messiânico, meio popular, o filho de Quixeramobim chega ao presente mais atual do que nunca



Em mais um caso de adultério na história do Brasil, ao flagrar Brasilina com um sargento de polícia na própria casa, Antônio Conselheiro (1830-1897) se embrenhou pelos sertões nordestinos, em peregrinação pelo tempo e pelos lugares do imaginário 

Atravessando literaturas e canções, vida e morte, o líder de Belo Monte – meio messiânico, meio popular - chega ao presente mais atual do que nunca. Amanhã e sábado, principalmente, em Quixeramobim (Sertão Central) serão lembrados, ou melhor, serão revividos os 186 anos de nascimento daquele que desfraldou a bandeira da “igualdade, fraternidade e liberdade” em um mundo à parte no Brasil, o tórrido sertão nordestino do século XIX.

“Todo personagem histórico de um povo tem sua atualidade. Ele interroga a cada um, no presente, como resolvem seus impactos e suas relações sociais”, une o psicanalista e professor universitário Osvaldo Costa Martins, coordenador do colóquio que é parte das homenagens conterrâneas a Antônio Conselheiro. Autores como o cronista Xico Sá, o teatrólogo Zé Celso Martinez e o compositor Fausto Nilo tecem um retrato falado das múltiplas faces e forças desse sertanejo.
Análise dos manuscritos
“O olhar é uma questão importante para ele. Desde que se converteu, ele não olhava mais para as mulheres, olho no olho”, destaca Osvaldo Martins. O psicanalista encontra Antônio Conselheiro nos manuscritos deixados pelo líder de Belo Monte. Dois cadernos, de 600 e 700 páginas, restaram da destruição de cerca de 5.200 casebres (o arraial de Canudos, como era conhecido o pequeno universo às margens do rio Vaza-Barris, desapareceu do sertão baiano no dia 6 de outubro de 1897, assolado pelo Exército brasileiro).

Permanece ainda o pensamento de “um homem que fez uma opção por uma ética cristã, não institucional, que tem muita influência do padre Ibiapina, um homem de ação”, completa Martins. Nos escritos, além de transpor trechos bíblicos para a realidade de Belo Monte, Conselheiro passou a vida a limpo. “Também revela um homem atormentado com sua culpa, seus desejos com as mulheres. Foi um grande homem de ação e deu destino a seu sofrimento, motor de uma vida”, extrai o psicanalista. “Reinventar e reescrever são palavras importantes para ele”, completa.

Trajetória

Desnorteado pela traição da mulher, Brasilina Laurentina de Lima, o ex-comerciante Antônio Vicente Mendes Maciel encontrou um rumo na reinvenção de si mesmo e na criação de outro mundo. Saiu de meados do século XIX para fundar outros tempos e pensamentos no sertão abandonado da Bahia. Não excluiu ninguém – retirantes, escravos, mulheres, crianças, velhos -, ao contrário, somou vidas na elaboração da existência de uma nova sociedade frente a poderes e injustiças de então.

Peregrino pela história do Brasil, Antônio Conselheiro alcança 2016. “É um homem fundador, cuja palavra fundou uma realidade, um social... Suas trajetórias inspiram as questões do presente: a terra, a segregação das minorias, a herança do regime escravocrata. Tudo isso passa por Belo Monte”, avista Osvaldo Martins. “E a trajetória de um ser humano interessa a todos: a finitude, a dor, a necessidade de partida, de se inventar”. As homenagens a Antônio Conselheiro, que se estendem por exposições e shows, memoriais e pontes, cruzam, justamente, os deslocamentos “das vidas humanas, como cada um se transforma, envolvendo também as cidades”, convida Martins.
Igreja de Crisópolis BA: construída por Antonio Conselheiro

PROGRAMAÇÃO:
11/3 (sexta-feira)

19h - Auditório da UniQ: “Dos Sertões para o mundo: Euclides, Tropicálias e outras antropofagias”, com o teatrólogo Zé Celso Martinez

20h30min - Praça da matriz: apresentações culturais

12/3 (sábado)
11h - Conselheiro no rádio: transmissão, ao vivo, nas rádios locais, de um debate com José Celso Martinez e Fausto Nilo
14h - Auditório da UniQ: exibição do documentário O último rastro, com a presença do diretor Marcus Moura

15h30min - Auditório da UniQ: “Escrita e Escritos do Sertão e de Conselheiro”. Colóquio com Karla Patrícia de Holanda, Osvaldo Costa Martins e mediação da jornalista Ethel de Paula

16h30min - Auditório da UniQ: “De Quixeramobim a Belo Monte – Andanças e Deslocamentos: O Poeta, a Cidade e a Escrita”. Com: Fausto Nilo e Xico Sá e mediação do Secretário da Cultura do Estado, Fabiano dos Santos

21h - Praça da Matriz: show com Os Transacionais

Toda a programação terá entrada franca
Referência: opovo online

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