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quarta-feira, 9 de março de 2016

Mostra ‘Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos’ trará mais de 200 obras do artista, compreendendo obras produzidas durante os anos de 1925 a 1949



A mostra reveste-se de especial importância, pois, embora sendo um dos mais conhecidos e importantes artistas brasileiros, Di Cavalcanti tem poucas publicações sobre seu trabalho. A maior parte delas realizada há muitos anos e esgotadas

Dando mais um passo no seu projeto institucional, a Galeria AD lançará em 8 de Abril, durante a SP-Arte, Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos (o livro) trará mais de 200 obras do artista, em publicação da Editora Capivara.

Também com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti, a edição reveste-se de especial importância, pois, embora sendo um dos mais conhecidos e importantes artistas brasileiros, Di Cavalcanti tem poucas publicações sobre seu trabalho. A maior parte delas realizada há muitos anos e esgotadas.“Eu sou meu personagem”, dizia Di Cavalcanti sobre si mesmo. Nada poderia defini-lo melhor. 

Autodidata, ilustrador, desenhista, caricaturista e pintor, entre todos os pintores do Modernismo, Di foi o único artista que se manteve ativo do início ao fim do período modernista (até sua morte, em 1976) e aquele que melhor retratou as nuances e o lirismo da cultura e do povo brasileiro. Mais de duas décadas desta rica produção, compreendendo os anos de 1925 a 1949, estarão na exposição Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos, com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti. 

A mostra, que acontece de 17 de março a 28 de Maio, reunirá cerca de 50 obras do artista – entre óleos, aquarelas, guaches – e insere-se dentro da ação de caráter institucional da Galeria Almeida e Dale, que já apresentou anteriormente as exposições de Fernando Botero, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Willys de Castro, Candido Portinari e Ismael Nery.

1925 e 1949


A ficha curatorial que compreende os anos de 1925 a 1949 marca um período de amadurecimento, transformação e virada na obra do artista.

1925 é o ano do regresso de Di de sua primeira viagem à Europa, após um período de dois anos, onde viveu em Paris como jornalista. Na capital francesa, frequentou a Academia Ranson, visitou museus e exposições e se encantou com os expressionistas alemães. Conheceu Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Viajou à Itália para ver Tiziano, Michelangelo e Da Vinci. Este contato com a vanguarda europeia e com os grandes mestres do passado foi fundamental para o artista, que voltou ao Brasil renovado e consciente do que queria para sua obra. “Paris pôs uma marca na minha inteligência. Foi como criar em mim uma nova natureza e o meu amor à Europa transformou meu amor à vida em amor a tudo que é civilizado. E como civilizado comecei a conhecer a minha terra. (…)”, afirmou.

Em 1949, em viagem ao México, Di teve contato com os pintores e muralistas mexicanos Diego Rivera (1886-1957) e José Orozco (1883-1949). A experiência com o muralismo mexicano abriu um novo caminho para o artista, que, a partir de 1950, passou a realizar painéis e murais para a nova arquitetura de linhas simples e arrojadas que encarnava o sonho da modernidade brasileira.

Ao longo dos 24 anos que compreendem os dois regressos, Di Cavalcanti elenca os principais temas de sua obra: as pessoas comuns, os sub-urbanos, retratados na favela, nos botecos, nas docas, nos bordéis, nas festas populares, e as mulheres – mulatas, negras, brancas, ricas e pobres, morenas e loiras, retratadas num clima lírico e sensual, dolente e langoroso. E os opostos que colocava em convivência – o lirismo e a sensualidade, o real e o fantástico, o cotidiano e o extraordinário, a razão e a emoção –, compondo um universo artístico que classificava como realismo mágico.

Vida


Di Cavalcanti, nascido Emiliano de Albuquerque e Mello, em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, então capital da República, começou sua carreira e formou-se como artista por meio da imprensa, trabalhando como caricaturista e ilustrador. Em 1916 participou do I Salão dos Humoristas, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

No ano seguinte foi para São Paulo, onde frequentou a Faculdade de Direito, por três anos. Com pouco dinheiro, mas boas referências, e muito talento, o artista conseguiu rapidamente se inserir no círculo dos intelectuais vinculados aos jornais em São Paulo e no Rio. Segundo Anita Malfatti, Di ajudou a convencê-la a realizar a famosa exposição de 1917, que abalaria São Paulo e seria considerada a gênese da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual o artista carioca também é um dos personagens centrais.

Di Cavalcanti atribuía a si próprio a ideia da realização da Semana de Arte Moderna de 1922 e, principalmente, a conquista da participação de Graça Aranha para a causa modernista. Hoje é corrente rejeitar a afirmação, atribuindo a ideia do evento a Marinete Prado, mas ninguém contesta a importância de Di Cavalcanti para a realização do evento. Era atuante, articulado, integrante ativo do grupo dos modernistas de São Paulo.

O artista produziu o catálogo e o programa da Semana, organizou a participação de Villa-Lobos e convidou vários artistas, entre eles Ferrignac e Martins Ribeiro. Na lista de obras da exposição constam 12 de seus trabalhos, entre os quais Café Turco, Retrato, O Homem do Mar e A Piedade da Inerte.

No trabalho mural, que se inicia a partir de seu retorno do México, em 1949, o artista faz experiências com formas ondulantes, padrões listados e estampados, numa profusão de informações visuais e predomínio de estilizações. Uma estética vibrante, colorida e múltipla é a marca de sua obra neste período, no qual encontramos também alguns acentos surrealistas. Entre as obras mais conhecidas estão as tapeçarias do Palácio da Alvorada, o grande painel do Congresso, o painel do Descobrimento, hoje no Museu Nacional de Belas Artes, e os quatro trabalhos realizados para a Caixa Econômica Federal, para ilustrar os bilhetes da Loteria. Em 1964 conheceu sua última mulher, Ivete Bahia da Rocha.

Mais do que qualquer outro artista, Di Cavalcanti conseguiu exprimir em suas telas o lirismo do povo brasileiro e a nossa sensibilidade sentimental e sensual. As suas mulheres lânguidas, os trabalhadores suados, a musicalidade que emana das gafieiras; tudo transborda poesia. De suas paisagens desprende-se o perfume de flores baldias, rendas de ferro se entrelaçam e brilha uma transparência azul, que mistura céu e mar. Este amor esta reiterado de forma poética e envolvente nos livros Viagem de minha vida e Reminiscências líricas de um perfeito carioca.

Pintor-poeta, amigo de muitos amigos, amante de muitas mulheres, personagem de si mesmo, Di foi um eterno apaixonado pelo Brasil.

Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos, na Galeria Almeida e Dale

Curadoria: Denise Mattar. Consultoria: Elizabeth Cavalcanti

17 de março: abertura para convidados

18 de março a 28 de maio: período expositivo

Lançamento livro Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos: 8 de abril, na SP-Arte

Galeria Almeida e Dale

R. Caconde, 152 – Jardim Paulista, São Paulo – SP




De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados das 10h às 14h

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