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sábado, 12 de março de 2016

Escrito pelo próprio Vecchiali, o longa “É o amor”, gira em torno e quatro personagens cujos destinos amorosos se entrecruzam



Pensado e executado como uma ode à liberdade da mulher e do homem homossexual, É o Amor apresenta personagens amáveis e comoventes em seu desespero por amor e aceitação, aproveitando para cutucar uma série de convenções sociais antiquadas que, por incrível que pareça, continuam ditando as regras em pleno 2015 

"É o Amor" começa com o próprio Vecchiali apresentando o local onde a trama vai se desenrolar. O narrador-diretor encarna o pai de Jean (Julien Lucq), contador casado com Odile (Astrid Adverbe), que desconfia ser traída pelo marido. 

A mulher decide se vingar transando na praia com Daniel (Pascal Cervo), premiado ator que vive um relacionamento com o ex-militar Albert (Frédéric Karakozian), a quem conheceu durante uma filmagem. Enquanto Jean amarga o arrependimento e Albert contenta-se com lembranças felizes do passado com o companheiro, Odile e Daniel deixam-se envolver por uma paixão mais almejada do que propriamente consumada. 

O cinema de reflexão e de baixo orçamento do veterano realizador francês Paul Vecchiali ganhou projeção internacional com Noites Brancas no Píer (2014), belo drama exibido no Festival de Locarno. O cineasta volta agora a falar sobre o sentimento mais idealizado por homens e mulheres em É o Amor (2015), longa que teve première mundial na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ambientado em um pequeno balneário francês, o filme em cartaz em Porto Alegre no Guion Center 3 acompanha os erráticos movimentos de quatro personagens sob a égide do amor – compreendido como uma quimera fugidia por definição.

A encenação não naturalista de É o Amor contrasta com a fotografia seca e desprovida de nuanças e com a direção de arte e os figurinos quase vulgares. Outro expediente que reforça esse distanciamento crítico é responsável também por alguns dos momentos mais potentes do filme: Vecchiali mostra dois diálogos entre os casais, em momentos diferentes da história, repetidos ipsis verbis – a câmera focaliza primeiro apenas um dos cônjuges durante a conversa; quando os diálogos são novamente ditos, somente o outro parceiro aparece em cena. Esse simples recurso explicita com certa ironia uma percepção amarga que perpassa todo o filme: o discurso amoroso no fundo é um solilóquio.

É o Amor configura-se como uma ciranda melancólica em torno do amor enquanto sombra – o quarteto protagonista e algumas figuras que vão aparecendo no decorrer do filme são movidos por ilusões, nostalgias, ressentimentos, desconfianças, incertezas, mentiras.

O amor nunca está lá – ele já foi ou ainda não chegou.

É O AMOR

De Paul Vecchiali Drama, França, 2015, 97min, 14 anos.


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