sábado, 26 de março de 2016

Com diversas publicações disponíveis, a discípula de Jesus, Maria Madalena se tornou objeto de grande atenção, notadamente após o livro “O Código da Vinci”



O discurso de um Papa foi responsável pela má fama que Maria Madalena carregou durante séculos, mas descobertas recentes apontam que ela teria sido, na verdade, a discípula preferida de Jesus


“Esse engano data do século VI, quando o Papa Gregório Magno fez um discurso identificando a ‘mulher pecadora’ que se arrepende e cai aos pés de Cristo (e que, nos evangelhos, é na verdade uma personagem anônima) como sendo Maria Madalena”, explica frei Jacir de Freitas Faria, professor de exegese bíblica e hermenêutica de textos antigos do Instituto São Tomás de Aquino, de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Deixando de lado qualquer julgamento a respeito do valor literário de sua obra, pode-se dizer que o escritor norte-americano Dan Brown tem pelo menos um mérito incontestável. Seu best-seller O código Da Vinci ajudou a desfazer um dos maiores equívocos do cristianismo: a associação de Maria Madalena à figura da pecadora (ou, pior ainda, da prostituta) que, através da penitência, alcança a redenção.

De pecadora, Maria Madalena logo passou a adúltera, prostituta, já que, no imaginário popular, o pecado feminino é logo associado à sexualidade. A imagem da mulher penitente passou a ser constantemente retratada em obras de arte, o que só ajudou a perpetuar o equívoco. Ela, assim, virou o exemplo clássico da regeneração, ilustrando de maneira eficiente o poder de conversão do cristianismo.

Em 1969, o Vaticano chegou a publicar um documento reconhecendo e desculpando-se oficialmente pelo erro que ajudou a popularizar. Tal fato é ainda hoje desconhecido por muita gente, mas é verdade que a mulher citada nos textos canônicos como aquela que esteve na ressurreição de Jesus teve seu próprio renascimento nos últimos anos.

Além do romance de Dan Brown, outro fator que ajudou a “recuperar” a imagem dessa importante figura bíblica foi a descoberta de uma série de textos cuja autoria é atribuída a ela. O chamado Evangelho de Maria Madalena foi encontrado em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, e, ao lado de outros textos apócrifos, a coloca como principal apóstola de Jesus, além de aumentar a polêmica em torno de um possível relacionamento afetivo entre discípula e mestre.

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