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domingo, 13 de março de 2016

Berço de grande parte da cultura alemã no Brasil, o Rio Grande do Sul ainda é um grande reduto germânico



Nas cidades que foram berço das primeiras colônias, ainda são bastante fortes e marcantes os hábitos costumes de tradições entre as pessoas que cultivam a tradição germânica



A colonização alemã começou no país quando o governo brasileiro, convencido de que precisava ocupar as remotas regiões fronteiriças, enviou em 1822 à Europa o major Georg Anton von Schäffer para recrutar interessados em emigrarem para o Brasil. Os objetivos eram não deixar livres as fronteiras, que sofriam constantes ameaças de serem tomadas por outros países, como a Argentina, e reforçar o exército brasileiro.

Pra convencer os alemães a se mudarem, o governo oferecia passagem à custa do governo, um lote de terra com 78 hectares, 160 réis para cada colono no primeiro ano e meio de estada no país, além de bois, vacas, porcos e galinhas.

Em 18 de julho de 1824, chegou ao Rio Grande do Sul a primeira leva de 39 imigrantes alemães, que se instalaram, primeiramente, na região do Vale dos Sinos. Alguns colonizadores, durante a Revolução Farroupilha, se deslocaram para a região de Santa Maria para se afastar dos conflitos. Depois do fim da revolução, os colonos se espalharam fundando entre várias colônias, a de Santa Cruz do Sul. Passada a Segunda Guerra Mundial, a quantidade de imigrantes procurando o Brasil diminuiu muito.

Assimilação e resistência
Mesmo com o constante processo de “assimilação” destas comunidades pelo português brasileiro nas últimas décadas – que teve seu ponto alto durante a ditadura de Getúlio Vargas – o alemão falado em regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná resiste.

Tema de diversas teses acadêmicas, tanto no Brasil quanto na Alemanha, o mosaico lingüístico presente em regiões rurais do Sul do país deixa entrever não apenas aspectos da cultura local, como revela detalhes da história da imigração alemã no país. Mostrando um apego à língua pátria, em várias regiões do Rio Grande do Sul, o alemão continua sendo a primeira língua, aquela predileta na comunicação dentro da família e entre amigos.

Língua da família e entre vizinhos

Em Legado Antunes, uma pequena comunidade no interior de Santa Catarina, verifica-se que as variações da língua alemã ainda são uma constante no seio familiar. Cerca de dois terços dos habitantes falam quase sempre alemão com os pais e avós, enquanto o restante faz o uso ocasional do idioma. Em várias comunidades como essa, especialistas apontam que o alemão continua sendo o idioma preferido na comunicação familiar e entre vizinhos.

Português “urbano” e alemão “arcaico”

“O português passou a ser símbolo da cidade, das camadas mais altas da população, do saber, da escola e de uma geração mais jovem. O hunsrückisch ficou associado às zonas rurais, à origem, à família, à solidariedade entre os grupos e às gerações mais velhas”, descreve Cléo Altenhofen o processo de “lusitanização das novas gerações” em determinadas comunidades do Rio Grande do Sul.

O respeito à língua – transmitida de geração a geração, mesmo quase dois séculos após a chegada dos primeiros imigrantes – é uma prova do caráter de “ilha lingüística” (Sprachinsel) das colônias alemãs na região Sul do Brasil.

O falante bilíngüe teuto-brasileiro se apropria com freqüência de expressões e vocábulos da língua portuguesa, já a partir do cumprimento inicial alles gut?, uma tradução literal do brasileiro tudo bem?, em detrimento da forma corrente na Alemanha de hoje, wie geht`s?, e da declinação correta alles gute(que significa tudo de bom e não como vai).

Segundo a pesquisadora Tornquist, descrições do mundo animal e da flora, bem como a denominação de meios de transporte são dois exemplos clássicos de formas híbridas usadas por essas comunidades de teuto-brasileiros, como no caso de rossa (roça/Feld), fakong (facão/grosses Messer), aviong(avião/Flugzeug), kamiong (caminhão/Lastwagen).

Entre outras apropriações estão palavras em português, cujo diminutivo é formado como no alemão:canecachen = caneca (port.) + chen (dim. alemão). Ou mesmo aglutinações híbridas como emschuhloja (loja de sapatos, sapataria) ou milhebrot (pão de milho).

Além disso, pode ser observada ainda uma enorme apropriação do português no uso dos verbos, que “ganham” na linguagem do teuto-brasileiro terminações em alemão: lembrieren, namorieren, sich realisieren, ofendieren, respondieren.

Atlas lingüístico
É interessante notar ainda como o português falado por comunidades bilíngües se difere daquele falado por outras comunidades no Sul do Brasil: enquanto estas demonstram clara predileção pelo uso do tu, constata-se uma variação significativa que aponta para o emprego do você nas áreas bilíngües, devido à forma de aquisição do português (padrão), que se deu durante muito tempo essencialmente via escola.

Com o intuito de catalogar as diversas variações aí presentes, foi criado o Atlas Lingüístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil (Alers), uma co-edição da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Federal do Paraná. Com cerca de 300 mil dados orais, colhidos em 275 pontos dos três estados, o Alers procura registrar a variante lingüística dominante em cada localidade cartografada.

Além de ser um importante subsídio para o registro da história de ocupação destas regiões, o atlas serve como importante fonte de informação sobre a variedade do português falado pela população rural de baixa escolaridade em toda a região Sul do Brasil.




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