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sábado, 19 de março de 2016

Bebendo na fonte de Nelson Cavaquinho, Romulo Fróes lança o seu novo trabalho “Rei Vadio”



Depois de lançar um disco com músicas que fez para outros interpretes no fim do ano passado e de lançar o vinil de seu ‘Barulho Feio’, Romulo Fróes anuncia notícias para 2016, quando lança “Rei Vadio”, um disco inteiramente dedicado à obra do visceral Nelson Cavaquinho

Quando surgiu, em 2004, com o disco “Calado”, Romulo Fróes chegou a ser comparado a um “Nelson Cavaquinho indie”. Já em seu segundo álbum, “Cão” (2006), o artista reafirmava a filiação enviesada ao desconstruir “Mulher sem alma”, parceria do mangueirense com Guilherme de Brito.

Desde então, Romulo segue próximo à beleza estranha e triste que a obra de Nelson seguiu, seja em sua carreira solo seja com o grupo Passo Torto — nome que, aliás, podia batizar um clássico do mestre. Portanto, a maior curiosidade em torno do disco “Rei vadio” (Selo Sesc), que o paulistano lança agora apenas com canções do carioca, não é por que fazê-lo, mas sim o motivo de ter demorado tanto.

— Nelson ocupava minha cabeça e minhas intenções desde meu primeiro disco — conta. — No ano do centenário de nascimento dele (2011), a ideia começou a se desenhar melhor. Mas eu não podia fazer como faço sempre, seguir para o estúdio e ir gravando sem dinheiro. Porque há direito autoral. Então, eu dependia de um parceiro financeiro. Em 2011, tentei editais, não rolou. Até que surgiu essa oportunidade com o Selo Sesc. Gravei ano passado. 

Só que estava envolvido com um trilhão de lançamentos, como os discos da Elza Soares (ele assina a direção artística de “A mulher do fim do mundo), do Passo Torto com a Ná Ozzetti (“Thiago França”) e os meus “Barulho feio” e “Por elas sem elas”. Então, acabei deixando para agora. Aí me liguei nessa efeméride dos 30 anos da morte dele, na próxima quinta-feira, 18 de fevereiro.

CAVAQUINHO E CUÍCA COM GUITARRA E BASS SYNTH

No disco, Romulo une instrumentos do universo do samba tradicional — cavaquinho e cuíca, por exemplo — com guitarra e bass synth. O tom geral é do samba entortado, não convencional, menos pelos instrumentos usados — alguém ainda se choca com a guitarra? — e mais pela forma como eles são usados, numa gramática que Romulo tem construído com parceiros como Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral.

— “Rei vadio” é um disco de samba, mas do jeito que a gente toca samba. Eu, Kiko, Rodrigo, Cabral, todos profundos conhecedores do samba, mas com outro olhar. Thiago (França) fez um arranjo clássico, meio Moacir Santos, para “Juízo final”, mas a música acaba com o som da Charanga (A Espetacular Charanga do França), gravado na rua, no carnaval. Já em “Mulher sem alma”, ele fez um arranjo solto, free jazz — avalia o cantor. — Eu me preocupei em não fazer um disco-tributo clássico, reunir músicos bons para tocar lindamente. Não queria ser canônico, tudo o que Nelson não era. Minha outra preocupação era não pagar de louco, como montar um trio de rock e sair tocando rock com Nelson Cavaquinho, fazer ruídos experimentais. Seria fácil. Não queria esse caminho. A ideia era um outro olhar sobre ele, sem parecer devedor a ele no pior sentido, sabendo que não vou deixar Nelson mais punk do que ele já é.´

O repertório traz sucessos como “Juízo final”, “Luz negra” e “Notícia”, mas está longe de ser um best of. Compositor fazendo seu primeiro disco puramente de intérprete, Romulo conta que buscou canções que poderia explorar a partir de sua estética — e que soassem vivas e coerentes em sua voz.

PROMESSA DE PAÍS QUE NÃO SE CUMPRE


Romulo lembra ainda que escolheu a Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde por amor a essas cantoras de samba, esses coros que chamam a atenção nos discos do também sambista Monsueto, por exemplo. “Vou partir”, que elas cantam, lhe parece um bloco se formando.

O Brasil parecia ter entrado nos eixos finalmente, mas há algo no fundo, que tem a ver com ser preto, pobre, que não muda. Esse lugar de onde Nelson vinha, esse embate com a vida, persiste no país. Nelson é uma espécie de retrato do país, essa promessa de felicidade da bossa nova que não se cumpriu e talvez não se cumpra nunca. A gente tem que se dar conta dessa tragédia que o Brasil tem. Mas que sejamos dignos e nobres na tragédia, como ele foi.

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