domingo, 27 de março de 2016

Após colocações infelizes, Lobão pede desculpas a Caetano, Gil e Chico Buarque em carta aberta e propõe trégua para discutir pontos de vista políticos



Em rede social, cantor tenta redimir-se fazendo declaração de amor aos três pilares da MPB e propõe discutir a crise política no Brasil 'como pessoas crescidas'
Neste domingo de Páscoa, utilizando uma rede social, ele publicou uma carta aberta dirigida a Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque na qual faz, humildemente, um pedido de desculpas e uma declaração de amor. 
Tratando os três por “caros amigos”, Lobão avisa logo no início da missiva: “Decidi escrever uma carta aberta a vocês por inúmeros motivos, mas confesso que, dentre todos esses tais motivos, estava lá, para minha surpresa, no fundo do meu peito a me gritar, o maior e mais importante deles todos: o meu amor por vocês”.
Lobão relata na carta que tomou a iniciativa de escrevê-la após assistir à participação de Caetano e Gil no programa Altas Horas, que foi ao ar na noite de ontem. 
O roqueiro confessa que, inicialmente, a sua intenção algo belicosa era ver o ponto de vista de Caetano sobre a crise política e os protestos das últimas semanas.Nos últimos anos, Lobão tornou-se um crítico gratuito de figuras proeminentes da MPB, mas, ao que parece, está recobrando a razão e reposicionando-se. 

O cantor há algum tempo assumiu um ódio obvio pela Presidente Dilma e seus aliados, sendo figurinha carimbada nas manifestações contra o governo, mas debulhou-se em afetividade: “Algo muito possante tomou conta de mim. Uma força estranha foi me conduzindo para áreas da minha memória afetiva, e, quando dei por mim, estava lá eu olhando para a TV inundado de carinho e amor, com um enorme sentimento de parentesco por aquelas duas figuras (Caetano e Gil)”, escreveu o roqueiro.

Segundo Lobão, para além dos dois compositores baianos, “tal força estranha também dragou uma outra figura, na tela ausente, para a ribalta do meu coração, o Chico” que, ao lado de inúmeras outras figuras da cultura nacional, apóia abertamente o PT. Lobão pede então desculpas e diz que foi “desonesto” ao “diminuir o talento de vocês três por pura birra, competição, autoafirmação ou até, vá lá, uma discordância genuína quanto a princípios ideológicos, políticos e metodológicos”. “Vocês três fazem parte do meu DNA artístico e afetivo e do meu imaginário poético”, escreve.

Carreira em declínio


De crítico da indústria da música e do regime militar, no passado, o cantor e compositor se converteu em um direitista de primeira linha e viu seus últimos shows se transformarem em fiascos de público sendo que, alguns deles, foram cancelados pelo baixíssimo índice de vendas de ingressos.

Já dizia Nelson Rodrigues “que toda unanimidade é burra” e a frase pode ser adaptada trocando ‘unanimidade’ por ‘radicalização’. E estamos falando de toda e qualquer linha ideológica. O outrora combativo Lobão aprontou das suas durante um Festival da Mantiqueira, ocorrido na cidade de São Francisco Xavier (SP). No evento, ele criticou o cantor João Gilberto – que “virou um ser sagrado e nós temos que destronar tudo o que é sagrado” –, atacou Chico Buarque e ainda afirmou que “a MPB é de uma mediocridade galopante”.

“Torturadores arrancaram umas unhazinhas“


Entre aplausos e vaias, o egocêntrico classificou a esquerda brasileira de “gente rancorosa e invejosa”. No auge da sua fala rancorosa, Lobão afirmou que há “um excesso de vitimização na cultura brasileira… Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização para quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores que arrancaram umas unhazinhas”.

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