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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Nordeste e as suas peculiaridades: D20 e Toyota Bandeirante com décadas de uso são as únicas opções de transporte para uma considerável parcela da população dos estados de AL e PE


No interior dos estados de Pernambuco e Alagoas, pick ups D20 e Toyota Bandeirante alongadas substituem o transporte regular de passageiros onde, a falta de linhas regulares de ônibus, estradas ruins e falta de opção garantem a demanda e são a ‘salvação da lavoura’ para os habitantes dessas regiões desassistidas do poder público


São menos de cinco horas da manhã de uma segunda-feira e na boleia da velha Toyota modelo Bandeirante pelo menos uma dezena de viajantes - homens, mulheres, crianças e idosos - espreme-se ao lado de caixas e sacos de mantimentos, roupas, verduras e cestos carregados com galinhas.

No interior do município pernambucano de Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco, a 204 quilômetros de Recife, os ônibus regulares deixaram de circular a alguns anos e a Toyota é o único meio de transporte. Essa realidade não é exclusiva desta localidade de 42 mil habitantes. Dos 38 municípios do Agreste Setentrional pernambucano, apenas oito possuem linhas regulares de transporte.

Além de ocupar o lugar de empresas tradicionais de ônibus, os "jipões" respondem por uma parcela crescente da economia de alguns municípios da região, onde são transformados e alongados em oficinas de fundo de quintal. Só em Brejo são 20 delas.

Invenção "made in Pernambuco", o "alongamento" do Bandeirante é um fenômeno. De maneira semi-artesanal, os chassis são esticados em um metro e a capacidade original, no caso dos jipes, passa de 5 para 12 passageiros, enquanto o volume de carga é ampliado em até uma tonelada. No município existem quase 1.300 Toyotas em circulação, cadastradas pela Associação dos Toyoteiros.

Império das D20


Agora estamos em Alagoas, mais precisamente na região de Delmiro Gouveia, na divisa com a Bahia através da cidade de Paulo Afonso. Naquele naco de Alagoas, viajar para os municípios de Água Branca, Pariconha, Inhapi, Canapi, Olho D´Agua do Casado e Mata Grande, entre outras cidades da região, só de transporte alternativo. Mas não existem vans micro-ônibus e veículos afins, lá só se anda de D20. A pick up da Chevrolet que deixou de ser fabricada desde 1996 é o único modelo utilizado para transporte nessa região de Alagoas.

Ninguém sabe explicar porque não existem Ranger, S10, Amarok ou qualquer outro modelo sendo utilizado na atividade. 100% das camionetes componentes da frota são de D20. Uns dizem que é pela robustez mecânica, outros afirmam que é porque a manutenção e aquisição de peças são fáceis, enfim são várias as razões pela preferência pela D20.

Elas foram adaptadas especialmente para a atividade e ganharam uma estrutura de madeira ou chapa de cera de 1,5 de altura, com bancos de madeira no mais puro estilo ‘pau de arara’, onde até 20 pessoas são transportadas nesse espaço. Em cima dessa estrutura está o ‘compartimento de carga’ e ali se transporta de tudo: porcos, bodes, carneiro, galinhas e outras aves, além de cereais, frutas verduras, enfim o que o passageiro desejar levar. Na cabine, - ou boleia, - viajam as pessoas mais idosas, grávidas e aquelas com dificuldades de locomoção. Vale ressaltar que até quatro pessoas, mais o motorista, costumam viajar no único banco.

Fiscalização

Os órgãos fiscalizadores, as PREs quando se trata de estradas estaduais e a PRF que jurisdiciona as rodovias federais, fazem ‘vista grossa’ para esse flagrante desrespeito às mais elementares normas de trânsito porque, se coibir esse tipo de transporte, deixa a população rural e dos municípios citados sem qualquer opção de deslocamento, já que não existem linhas regulares de ônibus que os liguem às cidades maiores como Delmiro Gouveia e Paulo Afonso, por exemplo.


E, dessa forma, a D20 bem cumprindo um importante papel social nesses municípios, além de manter de pé atividades como as oficinas e casas de peças especializadas na manutenção da lendária pick up, mesmo fora do mercado há 20 anos.

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