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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Exposição no MASP expõe os trabalhos mais significativos de León Ferrari no período em que viveu na capital paulista



Aberta até o próximo dia 21 de fevereiro, a exposição Entre Ditaduras está centrada na produção do artista no período em que viveu na capital paulista, de 1976 a 1991. Obras que criticam não só os sistemas autoritários, mas também a religião como forma de dominação 

Em 2004, quando o papa Francisco era arcebispo de Buenos Aires, investiu contra uma exposição do artista argentino León Ferrari (1920-2013) no Centro Cultural Recoleta, conclamando a comunidade católica a rezar contra as collages heréticas da mostra. O arcebispo Bergoglio chegou mesmo a apelar para que a retrospectiva de seu conterrâneo fosse fechada. Quatro ameaças de bomba depois, o próprio Ferrari, temendo pela segurança dos funcionários do museu, determinou o encerramento da mostra.

Quem não a viu pode ver agora alguns trabalhos nela exibidos e que integram o acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp – Av. Paulista, 1.578). A exposição León Ferrari: Entre Ditaduras reúne 90 obras do artista, entre elas collages das séries Releitura da Bíblia e Para Hereges, com curadoria da museóloga Julieta González, diretora interina do Museu Jumex, na Cidade do México, e de Tomás Toledo, curador adjunto do Masp.

Imagens polêmicas

A exposição, é bom alertar, não é para católicos que se chocam com a liberdade de interpretação dos textos bíblicos por artistas contemporâneos, especialmente empiristas heréticos como Ferrari. Ele morou no Brasil entre 1976 e 1991, fugindo da sanguinária ditadura argentina, que sumiu com um de seus filhos. Em São Paulo, nos anos 1980, encontrou sua turma, artistas que faziam experiências com novos meios eletrônicos de reprodução, dando prosseguimento às pesquisas iniciadas na Argentina.

Entre as obras que integravam a retrospectiva argentina, a imagem mais polêmica era a de um Cristo crucificado num caça norte-americano carregado de bombas. O título da obra (produzida nos anos 1960, no auge da guerra do Vietnã) resumia o ponto de vista de Ferrari: A Civilização Ocidental e Cristã. Filho de um arquiteto construtor de igrejas, mas também herege, o artista argentino associava a força bélica e atômica ao poder absoluto de destruição, traçando uma correspondência analógica entre a ira bíblica divina e o genocídio praticado por dirigentes políticos.

Muitas obras foram destruídas no Centro Cultural Recoleta depois do apelo do futuro papa aos católicos portenhos, que compareceram em peso à mostra – não para ver, mas destruir algumas obras. Em 2007, ao ganhar o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, o sarcástico Ferrari agradeceu ao papa. “Foi uma espécie de favor que me fez Bergoglio”, ironizou, mantendo até o fim da vida sua posição de confronto com a Igreja Católica. Ele plasmou em diversas séries a iconografia cristã dos grandes mestres pintores com imagens de bombas atômicas, fragmentos de gravuras eróticas orientais e referências da arte moderna, especialmente as séries picassianas que retratam orgias.

O conjunto de peças que compõe a exposição foram doadas pelo próprio Ferrari ao Masp e formam o acervo mais significativo de arte contemporânea de um único artista dentro da instituição. O pintor, gravador e escultor foi, segundo o curador, um dos artistas argentinos mais reconhecidos internacionalmente.

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