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domingo, 17 de janeiro de 2016

CANGAÇO | Tema que ainda é alvo de estudos e discussões mesmo após quase um século da sua eclosão



Não posso dizer que sou um apaixonado pela história de Lampião e tampouco um estudioso do tema , mas desde a tenra idade tenho lido a respeito dessa figura épica, herói para uns, justiceiros para outros e bandido para um outro grupo de pessoas que, de alguma forma, já tomou conhecimento da saga do filho de Serra Talhada PE

Neste final de semana, saciei a curiosidade de décadas que era visitar a Grota de Angico, no município sergipano de Poço Redondo. Tomamos o catamarã em Piranhas AL e desembarcamos no Ecoparque do Cangaço, com sua boa estrutura para receber os visitantes que, como eu, têm a curiosidade e a disposição de percorrer a trilha de 1750 metros que separam o complexo da grota onde Lampião e seu grupo foram dizimados.

Atendidas as recomendações do guia Cícero Cangaceiro, - levar 1 litro de água por pessoa, pouco peso, estar devidamente calçado e abusar do protetor solar, - iniciamos caminhada pela trilha onde o nosso guia ia identificando a vegetação local: xique-xique, mandacaru, macambira, palmatória, jurema, quixaba, umburana, umbuzeiro... nada de novo para mim, nascido e quase criado na zona rural de Ipirá BA, onde esse cenário fez parte do cotidiano da minha infância e adolescência.


Após algumas subidas e descidas com certo grau de declive e aclive, chegamos à grota. Nada de suntuoso: um leito de riacho seco, muitas pedras, uma pequena grota que não abrigaria uma pessoa nem agachada e paredões de pedras de cada lado da grota. Toda a magia daquele local, começa a ser sentida quando o guia Cícero, com grande conhecimento de causa, começa a narrar toda a aventura do grupo de cangaceiros liderados por Lampião, desde a chegada ao local, passando pela festa que ali rolou na noite de 27 de julho de 1938, até o inicio do tiroteio no raiar do dia 28, que resultou na morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove pessoas do seu bando, tudo regado a riqueza de detalhes e uma profunda paixão pelo tema que o Cícero Cangaceiro deixa aflorar durante a sua narrativa.

Origem da palavra “cangaço”


A origem do termo cangaço tem duas explicações. Em uma delas, ele é assim definido: “um movimento caracterizado como banditismo social que vigorou entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX pelas áreas do sertão nordestino brasileiro. A figura do cangaceiro é caracterizada pelo sertanejo sempre em trânsito, com vida seminômade, vivendo em bando e vestindo roupas de couro curtido, armado com rifles, facas (peixeiras) e punhais. Esse tipo de sertanejo carregava consigo as tralhas de que necessitava, todas afiveladas em seu tronco. Por isso, o nome “cangaço”, atribuído a essa forma de levar pertences e mantimentos”.

Em outra versão, essa com um viés de cunho social, afirma-se: “o termo "cangaço" surgiu a partir da palavra "canga", nome dado à uma peça de madeira utilizada nos animais que puxam os carros de bois. Assim sendo, a palavra "cangaceiro" faz alusão à canga, como uma grande carga que era jogada nos ombros dos nordestinos pelos coronéis da época e o cangaço teria surgido como uma forma de protesto contra essa opressão do coronelismo sobre os menos afortunados.

Diante das duas vertentes, fica a critério de cada um posicionar-se, - ou não, como diria Caetano Veloso, - sobre esse movimento ocorrido na primeira metade do século passado, mas que ainda hoje gera discussões acaloradas sobre o tema.

Euriques Carneiro (texto e fotos)


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