domingo, 27 de dezembro de 2015

Seca no México revela um tesouro arquitetônico: uma igreja construída no século 16


Iglesia de Quechula



Há décadas a seca castiga o Brasil e tem causado muitos transtornos em diversos estados, notadamente na região Nordeste. Na mídia, por exemplo, as notícias sobre o uso do volume morto do Sistema Cantareira dominam desde o ano passado


Apesar do sofrimento da população, no México a seca revelou um tesouro arqueológico. O nível das águas do rio Grijalva, que alimenta a represa Nezahualcóyotl, baixou mais de 25 metros e trouxe à tona a igreja Quechula, que foi construída no século 16 por monges dominicanos. Ela estava submersa desde 1966, quando foi criada a barragem.Mas se engana quem pensa que o problema da estiagem acontece apenas em nosso país. Em outras regiões do planeta, a falta de chuvas tem deixado muita gente preocupada e baixado o nível de diversas represas.

Tesouros submersos
As caudalosas águas do sudeste do México guardam valiosos tesouros. A falta de chuva deixou descoberto o que resta do templo de Quechula, uma igreja, de 61 metros de comprimento, que está submersa desde 1966, quando foi terminada a construção da represa de Malpaso, no leito do rio Grijalva, o segundo maior do país.

Quatro represas dependem do Grijalva. Uma delas é a de Malpaso, onde está uma importante hidrelétrica que abastece de energia vários Estados do sudeste do México. Em agosto estava onze metros abaixo dos seus níveis habituais. É possível que as águas tenham baixado mais desde então, já que os especialistas calculam que a igreja de Quechula só pode ser vista quando o nível baixa 25 metros. A última vez que isso aconteceu foi em 2002. Na época, vários fiéis caminharam até o templo e realizaram uma missa entre as paredes cobertas de lama seca.


Carlos Navarrete, um arquiteto que elaborou um relatório sobre os vestígios da igreja para o Governo, afirma que o templo foi abandonado entre 1773 e 1776 por conta de uma série de doenças que afetaram as comunidades da região, que hoje é habitada por índios zoques.

Antes de a represa ser terminada, em 1966, existia um pequeno povoado perto do templo. A comunidade era formada por quatro bairros, cada um deles com o nome de um santo. Os familiares dos antigos habitantes da área dizem que o templo era conhecido como a Igreja de Santiago.

Quando o nível de água baixa, os pescadores da região se transformam em guias. Transportam em seus barcos os curiosos que pretendem apreciar os restos do templo. Alguns afirmam que um terremoto na região derrubou um dos muros, de dez metros de altura, na década de quarenta do século passado. Nessa parte do país, a seca dá passagem ao turismo.

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