sábado, 5 de dezembro de 2015

“No Coração do Mar” traz mais uma versão para a história de origem de Moby Dick


 



Em um duro inverno de 1820, o navio baleeiro Essex, liderado pelo nada experiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), tem Owen Chase (Chris Hemsworth) como seu primeiro oficial. Owen sonha em ser capitão e tem o objetivo de superar a meta traçada por seu empregador

A tripulação navega por meses em busca de baleias, mas quando encontram se deparam com uma grande ameaça, uma gigantesca baleia branca que trará muitos problemas para a tripulação

Embora Melville tenha usado como base o naufrágio do Essex, destruído pela fúria de uma baleia cachalote, seu livro é fruto também de outros “contos do mar” e da própria experiência em um navio baleeiro. No filme, porém, é no relato do velho Thomas Nickerson (Brendan Gleeson) que o escritor (interpretado por Ben Whishaw) encontra a linha narrativa para o seu fascínio pelos grandes monstros do oceano.

Um ansioso Herman Melville chega na pousada comandada pelos Nickerson em Nantucket. Escritor de certo sucesso comercial, ele busca inspiração para o romance que colocará o seu nome entre os grandes da literatura norte-americana. Ron Howard começa assim No Coração do Mar para contar a história de origem de Moby Dick.

“É a história de dois homens”, começa o relato de Nickerson, um jovem marinheiro de primeira viagem (interpretado com competência pelo futuro Homem-Aranha Tom Holland) quando o Essex zarpou em agosto de 1819 para encher barris com precioso óleo de baleia, combustível para iluminação de casas e ruas. A frase assinala as dicotomias que acompanharão o longa, começando pela oposição entre o nobre Capitão George Pollard (Benjamin Walker) e o ambicioso primeiro imediato Owen Chase (Chris Hemsworth).

História de contrastes

Longe da obsessão do Capitão Ahab por Moby Dick, o roteirista Charles Leavitt constrói uma história de contrastes, tanto no caso do Essex - tradição/mérito, riqueza/pobreza, homem/natureza -, quanto na interação entre Melville e Nickerson. O escritor luta com o próprio talento, aspirando chegar ao nível do colega Nathaniel Hawthorne, enquanto o ex-marinheiro enfrenta a própria memória da tragédia, com vergonha da própria sobrevivência. Na conversa dos dois o filme ganha alma, principalmente pela força da atuação de Gleeson.

Já o conflito entre Pollard e Chase parece protocolar, assim como a conclusão, após o ataque da grande baleia, de que o homem deve respeitar a natureza, não tentar dominá-la. A discussão se torna artificial, assim como o visual do filme. Rodado quase todo em estúdio, Howard abusa da computação gráfica e parece ter tanto medo da grande baleia branca quanto os marinheiros naufragados por ela. Há boas cenas, contudo, principalmente nos momentos de perseguição. Já trechos como a entrada de Nickerson em uma baleia ou a degradação física dos náufragos poderiam ser memoráveis, mas temem demais se deixar levar pelo naturalismo.

No Coração do Mar é uma boa história de pescador. Carismático, Hemsworth faz de seu personagem um herói digno da torcida do público, enquanto Gleeson dá credibilidade à narrativa. Não deixa de ser a versão romanceada do caso real que deu origem a uma das grandes aventuras da ficção, mas Howard consegue criar momentos divertidos e emocionantes, capazes de entreter sem levar ninguém para o fundo do oceano.

Referência: omelete.com

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