sábado, 19 de dezembro de 2015

No centenário de Edith Piaf, o mundo relembra a diva que emprestou sua voz para compor várias trilhas sonoras de muitos filmes



 Uma das mais importantes e icônicas vozes da música francesa, Édith Piaf nasceu no dia 19 de dezembro de 1915, em Paris. Sua vida foi retratada no longa "Piaf: Um Hino ao Amor", que venceu o Oscar de 2008 em duas categorias: Melhor Maquiagem e Melhor Atriz, para Marion Cotillard


La Môme faria hoje cem anos. Só foi feliz depois de morrer. Porque enquanto viveu, andou da miséria à tragédia, da doença aos amores perdidos. Para bem de todos, decidiu cantar o que lhe ia na alma

Em vida, não chegava ao metro e meio de altura - tal como não chegou aos 50 anos. Na morte, o seu discreto jazigo, no cemitério Père Lachaise, também não tem grande espaço para deixar respirar quem tanto cantou. Só as iniciais EP tornam clara a presença que as indicações "Família Gassion-Piaf" ou "Madame Lamboukas" poderiam puxar para o domínio da dúvida: ali jaz, mesmo, a maior cantora de sempre da música popular francesa, a partir de hoje presença centenária.

Com batotas, mais ou menos ingênuas, do princípio ao fim da vida: Edith Giovanna Gassion terá realmente nascido a 19 de dezembro de 1915, recebendo o nome próprio em homenagem a uma enfermeira inglesa fuzilada dias antes pelos alemães, em plena I Guerra Mundial. O local é que se torna objeto de controvérsia: Edith passou aos seus biógrafos a certeza de que viu a luz do dia no número 72 da Rua Belleville, 20º bairro de Paris. Em casa, portanto. Parece, no entanto, que o seu parto consta entre os registros de nascimentos do hospital Tenon, bastante próximo do domicílio dos pais da Piaf. Mas nascer em casa teria a sua importância para uma cantora popular... 

Já na morte, a história é outra: Piaf morreu fora de Paris a 10 de outubro de 1963, mas os seus próximos conseguiram o clandestino transporte do corpo para a casa parisiense do número 67 do Boulevard Lannes. Afinal, quem cantou Les Amants de Paris, Le Chevalier de Paris, Sous Le Ciel de Paris e tantas outras peças emblemáticas para uma cidade que não dispensa símbolos e referências, não dava jeito nenhum ir morrer longe.

Da miséria à tragédia

Os primeiros anos de Piaf devem ter deixado marcas psicológicas para durar várias vidas: filha de um saltimbanco e de uma cantora de bas-fonds, a pequena Edith aparece ora disputada ora rejeitada por vários tipos de parentes, com os pais, uma avó e uns tios metidos ao barulho. Guardou na memória a fase em que viveu num bordel e em que as "tias" e "madrinhas" eram as próprias prostitutas. 

Que, para a lenda, ficaram com os louros da "salvação" da vista da menina que, aos sete anos, vítima de uma infecção que a deixou temporariamente cega, acabou por se curar depois de uma visita ao túmulo de Santa Teresa de Lisieux, romaria promovida pelas senhoras ditas de "vida fácil". Cedo a Piaf se habituou a cantar em cafés e, sobretudo, na rua.

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