domingo, 13 de dezembro de 2015

Documentário ‘Osvaldão’ conta a trajetória de Osvaldo Orlando da Costa e mostra mais uma face da Guerrilha do Araguaia



Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, é a figura mais emblemática da Guerrilha do Araguaia. Mineiro de Passa Quatro, foi um dos primeiros da família de ex-escravos a abandonar a cidade interiorana para estudar no Rio de Janeiro

Negro, forte, com mais de dois metros de altura, era uma figura inconfundível. Osvaldo Orlando da Costa é o mítico comandante do Destacamento B da Guerrilha do Araguaia, no Pará, onde se travou um dos capítulos mais sangrentos da resistência armada à ditadura militar. Foram três ofensivas do Exército e, somente na terceira, a mais brutal de todas, os militares lograram derrotar a guerrilha, em uma repetição macabra do massacre de Canudos, no sertão da Bahia, no final do século XIX. 

Não lograram, contudo, apagar a figura de Osvaldão no inconsciente coletivo. Negro, atlético, campeão de boxe, guerrilheiro. Osvaldão foi da estirpe de Zumbi dos Palmares e Antônio Cândido, celebrado como o Almirante Negro na voz de Elis Regina por sua luta no episódio que ficou conhecido como ‘Revolta da Chibata’.

No RJ, foi campeão carioca de boxe na década de 1950, mas teve que abandonar a carreira após conseguir a oportunidade de estudar engenharia em Praga, na antiga Checoslováquia, onde viveu por alguns anos. Membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), com treinamento na China, voltou para o Brasil para ser um dos principais guerrilheiros do país.

Até hoje é lembrado pelo povo local por sua coragem e generosidade. É considerado um grande herói em Araguaia e muitas pessoas o enxergam como um ser mítico. Em todo Brasil, o guerrilheiro se transformou em um dos exemplos mais extraordinários de dedicação em defesa da liberdade. Osvaldão morreu na Guerrilha do Araguaia em 1974, durante o regime militar. Teve sua cabeça decepada, exposta em público, e sua ossada continua desaparecida até os dias de hoje.

Onde está Osvaldão?
Sua trajetória será retratada no filme “Onde está Osvaldão?” oferece uma contribuição ao debate sobre a herança da ditadura e ao restabelecimento da memória do país.

O longa-metragem “Onde está Osvaldão”, produzido por Renata Petta e dirigido por Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles, foi gravado em Passa Quatro, Araguaia e Rio de Janeiro, além de conter imagens exclusivas de um documentário do Praga Filme Pujikovna, que retrata o cotidiano de alunos de várias partes do mundo em Praga, em 1961. Osvaldão foi protagonista do documentário.

História

A história de Osvaldão ilustra um dos muitos desvios radicais de trajetória determinados a partir do golpe de 1964. O guerrilheiro foi o primeiro combatente a chegar ao sul do Pará, na região do Araguaia, em 1967, com a missão de implantar uma guerrilha junto com outros companheiros. 

O maior conhecedor da área entre os demais guerrilheiros morreu em 1974, com 35 anos, desarmado e faminto. Teve seu corpo pendurado em um helicóptero para provar ao povo que estava morto, afinal, virou lenda e todos achavam que era imortal. Até hoje os restos mortais de Osvaldão não foram encontrados.

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