terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Assim caminhou a humanidade” é uma leitura para acadêmicos e pessoas que buscam informação



“As coisas que não existem são mais bonitas.” Essa pérola é de autoria do poeta mato-grossense Manoel de Barros, em um claro elogio à fantasia e à invenção

A frase se encaixa perfeitamente com o prisma do trabalho dos paleoantropólogos no esforço para decifrar as origens da humanidade.
Resultou desse enorme trabalho o melhor exemplo de inventividade e imaginação que muitos pensam que a ciência não tem, mas que na verdade são características que estão na sua essência criativa.

Quem se interessa muito por ciência – e também quem se interessa pouco – deve ter acompanhado a grande repercussão que teve a publicação de uma série de artigos em um dos últimos números da revista norte-americana Science sobre os fósseis da espécie hominínea Ardipithecus ramidus, encontrados na Etiópia a partir de meados da década de 1990. Foram pedaços de crânio, pelve, braços e pés de 36 indivíduos que viveram na África há cerca de 4,5 milhões de anos.

Dentro dessa linha de raciocínio, vale uma leitura do livro “Assim caminhou a humanidade”, que tem Walter Alves Neves, Miguel José Rangel Junior e Rui Sergio S. Murrieta, como autores. O livro tem uma apresentação do jornalista Reinaldo José Lopes, uma introdução e sete capítulos. Walter Neves participou diretamente da elaboração de dois capítulos, enquanto Miguel Rangel Junior e Rui Murrieta contribuíram no preparo de um cada. Além disso, Rangel Junior foi responsável por 65 das 91 figuras. 

Essas ilustrações são mais um aspecto positivo da obra, sendo em boa parte reproduções da maior coleção de réplicas fósseis da América Latina, a coleção Thomas van der Laan. Além deles, 14 outros pesquisadores participaram na redação dos textos, que se originaram no Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da Universidade de São Paulo, núcleo de excelência e reconhecimento internacional por pesquisas de ponta na área.

Pontos para reflexão

Questões levantadas pela obra: quando surgiu a capacidade de comportamento humano moderno? Calcula-se que ela já estaria pronta há 170 mil anos, e é por essa época que aparecem os neandertais, linhagem que só se extinguiu há 30 mil anos e que deve ter convivido com o homem anatomicamente moderno. 

Cerca de 200 mil anos atrás surgiu o Homo sapiens, originado na África, de onde se espalhou por todo o mundo. Em termos de indústria lítica, costuma-se relacionar dois períodos: o Paleolítico e o Neolítico. No classificado como Paleolítico Superior, há 50 mil anos, houve uma transição fundamental: a vida e os objetos passaram a ter significados abstratos. 

Se tivéssemos que fazer alguma ressalva à obra, citaríamos a ausência de um índice remissivo de assuntos e autores, que tornaria uma busca específica mais eficiente e rápida. Mas, pelo que foi mencionado antes, esta obra deve ser leitura obrigatória nos cursos universitários de graduação e pós-graduação, bem como para o leigo inteligente, que procura se informar sobre a nossa fascinante história biológica e cultural.

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