sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Hoje, 20.11, foi de missa afro na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos SP



O primeiro bispo negro do estado de São Paulo, dom Eduardo Vieira dos Santos, celebrou hoje (20), Dia da Consciência Negra, uma missa afro, em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, na região central da capital

Fundada em 1711 por negros escravizados e alforriados, com a ajuda de abolicionistas, a igreja tem uma simbologia para a comunidade negra. À época da fundação, havia muitas restrições para os negros que queriam frequentar as igrejas dos brancos.

Quando foi fundada, a Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos era uma construção muito simples, mas estava localizada à época no centro financeiro da cidade de São Paulo, o Largo do Rosário, onde fica atualmente a Praça Antônio Prado. Com a urbanização, a igreja foi demolida e instalada em meados de 1730 em um local mais afastado do centro urbano, onde fica hoje o Largo do Paissandu.

Além da missa, há outros eventos na programação prevista para hoje (20) pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, na região central de São Paulo. No Largo do Paissandu, tem feira afro, shows Gospel e da comunidade do samba.

No Vale do Anhangabaú, os eventos começam no início da tarde. Haverá apresentações da Banda Black Rio, de Chico César, de Leci Brandão, Jorge Aragão com Arlindo Cruz e Alcione e da Escola de Samba Vai Vai.

Breve história


Em tempos perdidos na nossa memória, houve uma antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Situava-se em ponto importantíssimo da cidade. A Praça Antônio Prado. Mas nos tempos de antanho, foi este alargamento de ruas o símbolo da devoção paulistana. Daí o seu nome bonito: o Largo do Rosário. Porque foi ali que se ergueu e se manteve por tanto tempo a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de tão pobrezinha que era, deve ter demorado muito para adquirir fundos que pudessem arrimar a construção de uma ermida. Acredita-se que só em 1721, em algum canto do Anhangabaú, erigiu-se uma capelinha. No ano de 1725, o ermitão Domingos de Melo Tavares obteve licença para erguer legalmente uma Igreja. Esmolou por três anos em Minas Gerais, e em 1728 a Irmandade rogou à Câmara de São Paulo um terreno, e o obteve no mesmo ano. Parece que em 1737 a Igreja já estava em pé.

De outro lado, o chamado progresso de São Paulo pedia a reformulação do Largo do Rosário. A lei 698, de 24 de dezembro de 1903, em seu artigo primeiro desapropriou a Irmandade, mediante uma pequena indenização e um terreno no Largo do Paissandu para a reconstrução da Igreja. Por esses acasos do destino, os remanescentes do cemitério, que era de propriedade da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, foram parar às mãos do... irmão do prefeito, o Sr. Martinico Prado. Ali se construiu o Palacete Martinico Prado, que já abrigou o Citybank e, hoje, acolhe a Bolsa Mercantil e de Futuros.

A antiquíssima Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos situa-se, hoje, no Largo do Paissandu. Fica defronte (ou, antes, inclinada) à Avenida São João. Tem uma porta frontal, por onde entram os fiéis, e outra lateral, cuja escada dá acesso à sacristia. A porta dos fundos leva ao subsolo, de acesso restrito aos membros da Irmandade.

É mais um belíssimo ponto turístico muito pouco visitado na capital paulista, que guarda e esse e outros tesouros da nossa história.

Referência: EBC / Arquidiocese SP

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