sábado, 21 de novembro de 2015

Guilherme Fontes lança filme 'Chatô' depois de 20 anos de muita controvérsia e acusações de malversação de dinheiro público



Por motivos que pouca nenhuma ligação com a qualidade do longa, pode-se afirmar que Chatô - finalmente em cartaz no país - é o filme mais notório do cinema nacional já que se passaram vinte anos desde que Guilherme Fontes pegou uma grana preta e obteve o direitos de adaptação do best-seller homônimo de Fernando Morais, iniciando assim um interminável escândalo que envolveu dinheiro público

Após 20 anos de polêmicas envolvendo suposto desvio de dinheiro público, "Chatô - O Rei do Brasil" teve sua pré-estreia na noite da última terça-feira (17), em São Paulo. O filme, que foi um processo tortuoso e inclui batalhas judiciais, marca a estreia de Guilherme Fontes como diretor.

Depois de duas décadas, enfim Chatô - O Rei do Brasil está pronto. Um período repleto de problemas, com interrupção nas filmagens, dificuldades na captação do orçamento e acusações de má utilização do dinheiro público, que resultaram em processos e condenações para o diretor Guilherme Fontes.

O longa gira em torno da vida de Assis Chateuabriand, o homem que trouxe a televisão ao país, em 1950. O elenco de "Chatô" tem o ator Marco Ricca, no papel título, além de Andrea Beltrão, Paulo Betti, Leandra Leal, Eliane Giardini e Gabriel Braga Nunes.

Um self-made man

O paraibano Francisco de Assis Chateaubriand (1892-1968), é verdade, tinha uma veia forte de excesso: um legítimo self-made man, entre as décadas de 30 e 60 ele influiu em quase todas as esferas da vida brasileira. Comandou um império de imprensa, circulou nos altos da política (teve uma complicada aliança com Getúlio Vargas), e em 1950, ao fundar a TV Tupi, trouxe a televisão para o Brasil. 


Foi ainda senador, "imortal" da Academia Brasileira de Letras, cofundador do Masp com Pietro Maria Bardi e, sobretudo, figura altamente folclórica - e folclorizada. O paralelo com William Randolph Hearst (1863-1951), o magnata do mesmo ramo que Orson Welles mitologizou em Cidadão Kane, quase que se oferece voluntariamente. E Fontes aceita de bom grado a oferta: Chatô é um Cidadão Kane antropofágico, no qual o protagonista, paralisado pela trombose que o acometeu em 1960, rememora sua trajetória como um julgamento, ou um programa de auditório, ou às vezes um delírio. 

Entrevista


Em recente entrevista, ao ser questionado se em algum momento teria pensado em abandonar Chatô ou chamar outro diretor para concluí-lo, Fontes rebateu, com um certo sarcasmo que soou até como deboche: "O dinheiro é público, mas o filme é meu! Eu que captei, está tudo certo. Não permiti que invadissem o filme até que acabasse. Às vezes me sinto como um pintor, que só precisa de um cantinho e uma paz para poder acabar."

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