sábado, 7 de novembro de 2015

Exposição em Paris mostra um Picasso que produziu freneticamente até os 92 anos


Além das pinturas e esculturas, a própria figura do mestre espanhol também é alvo de fascinação. Uma nova mostra na capital francesa analisa o homem e o mito por meio de sua obra e dos muitos artistas que inspirou

Revolucionário, torna-se um descobridor constante de estilos. Desde o momento em que deixa Málaga, sua terra natal, em 1900, para se instalar em Paris, decide que não será mais um artista a gravitar na capital francesa. E se aplicou para isso. De forma diferente dos adolescentes da época, se surpreendia com as obras de Van Gogh e Toulouse-Lautrec, dos quais tenta descobrir toda a trajetória que fizeram na cor e como esperado, deixa-se influir por eles.

Paris ainda era conhecida como a “cidade luz” e a maior população de artistas por metro quadrado do planeta, quando Picasso passa a pintar telas com referências espanholas, mas com tratamento cada vez mais francês, que se revela na técnica apurada, linha definida, enfim, tudo dentro do melhor estilo que fervilha em Montmartre.

Disciplinado, aos 23 anos começa a ser conhecido, não só pela qualidade de seus trabalhos, mas também pela enorme e variada produção.

Picasso produz por momentos de inspiração e de 1901 a 1904, inventa a chamada fase azul, em que as telas são invadidas pelo traço negro e severo, envolvendo as figuras num espaço dominado por todas as nuances de azul e com ênfase aos elementos marginalizados pela sociedade.

Em mutação permanente, a partir de 1905, suas telas ganham suavidade, quando nasce a fase rosa, na qual as cores agora são mais esmaecidas e arlequins e cenas circenses dominam seu campo visual. Fascinado pela escultura negra, inventa formas ousadas modificando radicalmente qualquer leitura que se possa ter da arte até então.

Motivado pelo novo, inventa uma das telas emblemáticas da arte contemporânea: “Les Demoiseles d‘ Avignon” (1907), onde predomina a decomposição da realidade humana. As cores rosa e vermelho em suas obras ganham uma conotação lírica.

De atitudes independentes, Picasso era dotado de vitalidade incrível e se permitia todo o tipo de liberdades. Militante do Partido Comunista Francês, combateu durante toda a sua vida pela liberdade e paz.

Homem extremamente sensual e sexualmente exigente até o ponto de se tornar um sádico, segundo o depoimento de Françoise Gilot, Picasso utilizou o rosto e o corpo de suas mulheres para traduzir, em sua obra, suas perplexidades como artista e as rupturas de linguagem.

Com 92 anos de idade, morreu em abril de 1973 e produziu freneticamente em várias técnicas: escultura, pintura, cerâmica, gravura, cenografia, tornando-se o ícone das artes plásticas deste século.

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