sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Uma tradição secular e difundida no mundo inteiro: os relógios suíços



Há séculos, a Suíça é famosa pelos seus relógios, mas nem sempre foi assim pois, quando a medição do tempo começou no século XIV, a Suíça estava muito atrás do seu tempo


A tradição dos relógios suíços teve início quando os refugiados huguenotes trouxeram a fabricação de relógios portáteis para Genebra na segunda metade do século XVI, que foi quando a relojoaria também começou a se difundir na Suíça. Nestes anos, a economia floresceu em Genebra, a cidade de Calvino.

E já que tudo no país funciona perfeitamente, como um legítimo relógio suíço, por lá, perder hora é um pecado imperdoável. O país que notabilizou-se pela qualidade dos seus relógios e as melhores marcas do mundo estão lá. Em Genebra, tem relógio de todo tipo, até de flores. A cidade é considerada a capital mundial desse acessório.

A vocação teve impulso no século 16, quando os ares da reforma protestante chegaram por lá. O movimento que contestou as bases do catolicismo proibiu o uso de jóias e, para os trabalhadores joalheiros, restou migrar para o ramo de relógios. Hoje, a cidade abriga fábricas das marcas mais cobiçadas do mundo. Os produtos feitos lá podem ser apreciados nas vitrines. É só dar uma voltinha pelas principais ruas do comércio local.

Custos


A fábrica da Custos é nova, foi fundada em 2005. Fica no tradicional bairro de São Gervásio, onde nasceu a indústria relojoeira de Genebra. Tradição unida com modernidade, diz um dos fundadores. Formado em engenharia micromecânica, Antonio Terranova é responsável pelo desenvolvimento das tecnologias embutidas em cada relógio.

São 35 funcionários, 80% deles portugueses. Eles fazem entre 1,5 mil e 2,5 mil relógios por ano. Um produto relativamente raro, feito com paciência e precisão. A diferença se reflete no tempo de trabalho: nas grandes fábricas, um relógio é concluído em 20 minutos; na Custos, leva quatro horas - 80% do trabalho são feitos de modo artesanal, o que significa foco nos detalhes.

É preciso mesmo ter atenção para trabalhar com peças tão pequenas. São de tungstênio, titânio, aço, vidro e pedras como safira e rubi. O resultado de tanta perícia é um produto que mistura performance, eficácia, elegância e precisão. Os relógios da Custos chegam a valer US$ 350 mil.

Show à parte


Na capital Berna, a precisão dos relógios virou atração. A torre do relógio fica na principal rua do centro histórico. Serve como uma fronteira entre passado e presente. A cada hora, pessoas de todo o mundo param para assistir a um show que atravessou séculos. Mas para conhecer melhor essa história é preciso subir escadas.

Num país conhecido pela pontualidade e pela fama de seus relógios, talvez nenhum outro local seja tão importante neste quesito do que o coração da torre, onde fica o maior relógio da Suíça. Acredite: o mecanismo está lá desde 1530. Isto significa que o pêndulo está balançando há quase 500 anos. Cada engrenagem tem uma função, algumas para marcar os minutos e as horas, outras para movimentar cada personagem do relógio.


Quartzo ignorado


Mas a maior revolução do século XX na relojoaria passou pela Suíça sem deixar sinais. Apesar de o primeiro relógio de quartzo ter sido desenvolvido em 1967 no Centre Electronique Horloger (CEH – Centro de Relógios Eletrônicos) em Neuchâtel, as empresas suíças perderam a oportunidade de ganhar dinheiro com a inovação. O desenvolvimento posterior foi deixado nas mãos de outros. 

Principalmente os japoneses e os americanos se empenharam muito, enquanto os suíços mobilizaram suas forças no desenvolvimento e no aperfeiçoamento dos relógios mecânicos. Quando o desenvolvimento dos relógios de quartzo fez cair drasticamente a procura por relógios tradicionais, nos meados dos anos 70 parecia que tinha chegado a derradeira hora da relojoaria suíça.

Mas a indústria suíça deu a volta por cima e, 30 anos após a crise, a transformação na relojoaria nacional suíça foi bem-sucedida e a relojoaria é, de novo, um dos ramos econômicos mais prósperos do país.


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