quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Riqueza cultural e degradação convivem no Centro Histórico de São Paulo



Salta aos olhos o estado de total abandono que se encontra os principais locais do centro histórico da cidade de São Paulo, da Santa Ifigênia à Avenida São João, passando pelo Largo do Payssandu à Praça Júlio Mesquita, com muita pichação, moradores de rua e uma “Cracolândia” em cada esquina

Pessoas que estudam o fenômeno afirmam que a decadência da região central da cidade de São Paulo começou já nos anos 1960, mas há uma outra corrente que assegura que ele remonta aos anos 70 e 80 quando, apesar de já existirem alguns shoppings, na zona sul, havia uma vida cultural e comercial muito intensa no centro, seja nos diversos cinemas que lá havia, seja nos grandes magazines.

Para esse grupo, por mais paradoxal que pareça, o centro começou a perder sua força quando foram construídos diversos calçadões, como nas ruas São Bento e Direita, e Barão de Itapetininga e 24 de maio, por exemplo. Por quê? Porque dificultava o estacionamento de veículos, seja para levar mercadorias ou mesmo a falta de estacionamentos para clientes. 


Esse fato, fez com que os proprietários de lojas migrassem para shoppings onde tinha tudo isso, mesmo porque os calçadões facilitaram a circulação de moradores de rua, contribuindo para o aumento da violência em geral, com destaque para número de assaltos.

O retrato do centro paulistano hoje é de abandono, exalando os mais fétidos odores nas ruas transversais, com hotéis, bares e restaurantes dando claríssimos sinais de decadência, figuras fantasmagóricas povoando as ruas em plena luz do dia, autodestruindo-se pelo consumo de drogas em geral, com destaque para o devastador crack.

O reverso da medalha


Mas engana-se quem pensa que a região se resume à degradação. Andando por um trecho da Rua Vitória, por exemplo, é grande a possibilidade do transeunte se deparar com um aglomerado de pessoas se reunidas para consumir crack, porém alguns metros depois vai chegar à iluminada Av. Ipiranga onde ela cruza com a São João. Aí vai vir à lembrança “Sampa”, o hino da capital paulista composto pelo baiano Caetano Veloso e bem à sua frente, um dos ambientes mais cultuados da cidade: o Bar Brahma.

Como quem luta para se manter vivo e pulsante, o mesmo degradado Centro Histórico de São Paulo procura guardar a beleza arquitetônica de construções antigas, já que a região ainda é extremamente rica culturalmente, abrigando museus de peso como a relevância histórica do Pateo do Collegio, belíssimos concertos na formosa Sala São Paulo, contemplação de uma vista privilegiada da cidade em mirantes como o do Edifício Martinelli e a imperdível Pinacoteca do Estado.


O prédio de tijolos aparentes da Pinacoteca projetado por Ramos de Azevedo foi o primeiro museu de arte de São Paulo, inaugurado em 1905 no bairro da Luz. O prédio foi restaurado em 1998, e hoje a abriga em seu acervo uma coleção de arte brasileira dos séculos 19 e 20, que está entre as mais conservadas e importantes do país.

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