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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Nesse que é chamado o DIA DO NORDESTINO, seria pertinente abrir a discussão sobre a discriminação sofrida pelos habitantes dessa sofrida região brasileira?





É unânime a constatação de que existe preconceito contra nordestinos no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, apesar de algumas pessoas ainda tentarem negar a existência de tal preconceito com expressões do tipo: "ah! Isso é besteira, não existe", tentando ocultar aquilo que salta aos olhos, abstendo-se assim de discutir o tema por receio de expor ou até desvendar preconceitos internalizados
"A gente vem jogar na Paraíba e colocam um paraíba para apitar, só podia dar nisso". A declaração do jogador Edmundo em 1997, à época atuando pelo Vasco, após ser expulso por um juiz cearense em um jogo em Natal, evidenciou bem a generalização e o preconceito ainda existentes no país, especialmente no sul/sudeste e contra nordestinos.

Hábito arraigado

Apesar de decorridos quase duas décadas, de lá até hoje, nada mudou
Quantas vezes já ouvimos o Nordeste ser comparado à Índia, ao passo que o Sul/Sudeste teria paralelos com a Bélgica? A partir daí é gerado o monstro chamado "Belíndia", com elites favorecidas e pobreza infinita convivendo juntas. Mesmo nestas comparações, encobrimos com o preconceito áreas nordestinas que poderiam aparecer no país europeu e focos de miséria crescentes nos estados mais ricos do país.

Alguns políticos desprovidos de massa encefálica, recentemente já atribuíram o aumento da violência em São Paulo à migração desenfreada, enquanto os "paraíbas" e "baianos" (como são chamados os nordestinos em geral no Rio de Janeiro e em São Paulo) continuam a ser vistos e tratados com discriminação, seja ela explícita ou não, de modo que uma declarações como estas duas podem externar preconceitos que muitas vezes são considerados naturais por quem os profere.

O preconceito contra os nordestinos tem raízes no racismo, especialmente porque mulatos, negros e descendentes de índios compõem grande parcela da população das regiões norte/nordeste. A comparação com os imigrantes europeus e a maioria branca do sul/sudeste desenha um quadro de gritantes diferenças.

Beócio diplomado

Os comentários de um advogado paranaense postados nas redes sociais em 2013, causaram revolta e mostram o lado perverso de uma discriminação que não mais velada e sim escancarada. Palavras do advogado Gustavo Zanelli: "não adianta querer misturar as culturas norte/nordeste X sul/ sudeste. É por isso que há tão poucos sulistas no nordeste (nós não aguentamos isso aqui)".

Em outro momento de absoluta insanidade e rara imbecilidade ele sugeriu a separação das regiões Norte e Nordeste do resto do país, declarando que "seria o primeiro a iniciar uma guerra para a devida separação", e completa: "se houvesse essa possibilidade nós aí do Brasil seríamos um país de primeiro mundo".

A separação sob a ótica dos repentistas

Como essas atitudes discriminatórias remontam há séculos atrás, no inicio da década de 80 o escritor, compositor e roteirista, Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova, um dos poetas repentistas mais conhecidos e respeitados do Brasil, compuseram a música “Nordeste Independente", um bem-humorado e utópico manifesto contra a discriminação sofrida pelo nordeste, que gerou polêmicas e teve o disco de Elba Ramalho que continha música, sendo vendido com lacre e tendo a execução pública proibida pela ditadura militar.

Vale lembrar que a gravação de Elba Ramalho, aproveitou apenas seis, das, pelo menos, 15 estrofes escritas pelos poetas.

Ivanildo Vila Nova, a Águia do Improviso, é de Caruaru, mas residiu por muitos anos em Campina Grande. O Poeta, que foi eleito pelos seus pares "o Cantador do Século XX", ainda é considerado o maior Repentista de todos os tempos.


Nordeste Independente

(Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova)

Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividido a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria senador
O caçador de roça era suplente
Cantador de viola o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca" era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar

O arroz, o agave do luar
A cebola, o petróleo, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que nos enganam
Porque no fundo no fundo nosso povo não é besta!

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