quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Meu Amigo Hindu | Hector Babenco avalia o seu trabalho: "Fiz o meu melhor filme”





Cineasta abre a Mostra de Cinema de SP nesta quarta, 21, com o relato de sua luta contra a doença.
“Hoje, depois de ser muito assediado pela ideia de fim, meu único pedido à morte era que ela me deixasse fazer mais um filme. E esse é o filme que a morte me deixou fazer.”


Protagonizado pelo ator americano Willem Dafoe em solo paulista, mas todo falado em inglês, com sotaque autobiográfico, o drama Meu Amigo Hindu, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, abre com timbre existencialista a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, nesta quarta-feira, no Auditório Ibirapuera.

Fruto de experiências pessoais do cineasta durante a luta contra um linfoma, o longa-metragem integra um pacote de 312 filmes, incluindo o ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes (Dheepan, O Refúgio, de Jacques Audiard) e o vencedor do Leão de Ouro de Veneza (Desde Allá, de Lorenzo Viegas). Nessa cartografia de diferentes estéticas mundiais, a produção pilotada por Babenco propõe uma reflexão sobre a sobrevivência (dos corpos, dos afetos) a partir do drama do diretor Diego (papel de Dafoe), que se vê às voltas com uma doença maligna.

Fenômeno de bilheteria

Indicado ao Oscar de melhor diretor em 1986 por O Beijo da Mulher-Aranha e realizador de fenômenos nacionais de bilheteria como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) e Carandiru (2003), Babenco não filmava um longa desde 2007, quando lançou O Passado, estrelado pelo mexicano Gael García Bernal. Rodou apenas um curta: O Homem Que Roubou um Pato, para o longa em episódiosWords With Gods (2014).

No seu regresso às telas, Babenco revê a relação que teve, durante o tratamento de seu linfoma nos EUA, com um garotinho de origem hindu. "Fazer um filme é sempre um processo penoso, até doloroso, pelo esforço físico exigido. Mas a euforia quase histérica de ter conseguido representar tudo o que estava escrito no roteiro a partir da minha visão pessoal é um prazer único. Eu queria morrer dirigindo uma cena", diz o cineasta.

Estão em cena nomes como Maria Fernanda Cândido, Guilherme Weber, Maitê Proença, Dan Stulbach e Reynaldo Gianecchini, que interpreta o médico responsável por ajudar Diego a superar sua moléstia. Já Selton Mello aparece em Meu Amigo Hindu como uma figura enigmática. Mulher do cineasta, a atriz Bárbara Paz registrou detalhes da experiência em um making of do longa, que também será exibido na Mostra. Ela prepara, em paralelo, um documentário sobre a trajetória do cineasta.

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