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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Há 15 anos, o diretor Deolindo Checcuci encenou "O Vôo da Asa Branca”, uma emocionante peça que contou com rara felicidade a saga de Luiz Gonzaga



O grupo Asa Branca, responsável pela montagem - dirigida por Deolindo Checcuci-, que também é autor do texto e viveu em um universo próximo ao compositor, procurou dar contemporaneidade à história do velho Lua, fazendo um paralelo entre ela e a situação dos nordestinos no início do novo século

O grupo buscou não só contar a história do rei do baião, como mostrar um pouco da cultura nordestina, de forma a traçar um painel do compositor e da região. Um dos elementos usados para isso foi a narrativa em cordel. "A estrutura narrativa desse tipo de texto é toda em versos. Escolhi porque é da cultura popular e se aproxima do Gonzagão e do Nordeste", explicou Checcuci sobre a sua obra. "Fizemos diversos laboratórios em que os atores interpretavam cordéis, para se familiarizarem com o estilo." Os figurinos foram inspirados nas esculturas de mestre Vitalino, e o cenário era cheio de cercas toscas, exatamente como ainda se faz no sertão.

Com narrativa dinâmica, a peça acabava por retratar também a era do rádio, como a luta do compositor pernambucano para vencer o preconceito e impor seu estilo e sua música em todo Brasil (na época, o diretor da rádio não queria que ele usasse roupas de cangaceiro e criticava seu sotaque).

Como definiu Checcuci em entrevista da época, "Gonzagão tinha uma identidade cultural muito forte, o que é importante destacar nos dias de hoje, em que as pessoas se esquecem tão facilmente de suas raízes. Ainda assim, ele falava do Nordeste de uma forma muito universal, que toca a alma em todo o mundo. O público sai da peça emocionado, com um sentimento de brasilidade".

Sucesso de público e crítica

“O vôo da Asa Branca" mostrou momentos marcantes da vida do cantor e compositor pernambucano, misturando elementos de drama, humor e musical, uma banda de acordeom, zabumbas e triângulos acompanhava ao vivo os atores, que interpretavam canções de Luiz Gonzaga, na narrativa cênica. O texto, escrito pelo próprio Checcucci, baseou-se na literatura de cordel, enquanto o cenário e figurino remetiam ao interior do nordeste brasileiro. São recursos que concorrem para a celebração da cultura regional, da qual o pernambucano Gonzagão foi um dos principais defensores e representantes.

Desde a sua estréia em 2000, O Vôo da Asa Branca cumpriu diversas temporadas em Salvador e percorreu também algumas capitais brasileiras, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, João Pessoa (PB) e Recife (PE), além de vários municípios do interior da Bahia.

Durante os anos em que foi exibida, arrebatou um público superior duzentos mil espectadores. No currículo, o Prêmio de Melhor Espetáculo - Braskem (Bahia) e o Prêmio Nacional de Dramaturgia Lurdes Ramalho (Paraíba). Também foi selecionado como um dos dez melhores espetáculos do Brasil, pelo Ministério da Cultura, que produziu um especial para o programa Teatro na TV, em 2001. No elenco, nomes como Vitório Emanuel, Iami Rebouças, Cristiane Mendonça, Eduardo Albuquerque e Tom Carneiro.

Vi a peça em três oportunidades e guardo uma curiosidade: na primeira vez que assisti ao espetáculo, o ator que fazia Gonzaga (Vitório Emanuel), apenas manuseava o acordeom e ela ‘dublado’ por um sanfoneiro. Na última vez que vi a montagem, cerca de dois anos depois, ele já tocava com alguma destreza, demonstrando uma enorme força de vontade. Eu e uma enorme legião de admiradores gostaríamos de rever essa pérola do teatro baiano.

Euriques Carneiro


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