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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Questão de cultura | As enormes diferenças no uso da bicicleta no Brasil e no Japão





A moda de andar de bicicleta é uma tendência que veio para ficar. Cada vez mais as pessoas estão aposentando seus atuais carros e adotando este transporte mais saudável e que produz poluição. São as famosas bicicletas com seu apelo ecológico e o da vida saudável

É claro que vocês perceberam que não estamos falando do Brasil, pois a cultura das bikes substituindo os carros ainda é para os povos do primeiro mundo, com suas cidades planejadas, ruas e avenidas com pavimentação impecável e, principalmente, com o povo educado que respeita o espaço uns dos outros.
O uso da bicicleta como meio de transporte no Brasil ainda está engatinhando e a grande maioria ainda utiliza as magrelas como instrumento de lazer e/ou para exercitar-se. Abaixo, trazemos para os amigos que nos acompanham aqui no Artecultural, um dos maiores exemplos do uso intenso das bicicletas, que é o Japão. Lá não se pedala apenas pelo modismo e sim por questões que vão muito além disso. Não é comum no Japão, pagar-se por uma bike o valor de um sedã médio, ou cerca de R$ 700,00 por um simples calçado vendido como adequado para a prática do esporte, quando se pode perfeitamente pedalar com um tenis comum. 
Vejam os exemplos desse povo e sua cultura milenar.


Euriques Carneiro


Estilo de vida – A cultura da Bicicleta no Japão

Uma das coisas que mais surpreende quando vamos ao Japão é a quantidade de pessoas que utilizam a bicicleta como seu principal meio de transporte, independente da idade, sexo, posição social ou independente de ter ou não um carro na garagem. A Cultura da Bicicleta faz parte do cotidiano e estilo de vida japonês.

De acordo com o Wikipédia, podemos chamar de “cultura da bicicleta” toda e qualquer sociedade em que uma boa porcentagem da população tem a bike como um veículo utilitário. Assim acontece com vários países europeus e asiáticos como Dinamarca, Holanda, Alemanha, Suécia, China, Coréia e Bangladesh.

Devido ao grande número de ciclistas, esses países acabam por criar uma infra-estrutura mais desenvolvida para esse grupo, com direito a ciclovias segregadas nas calçadas e extensas instalações que servem como estacionamentos urbanos para bicicletas, geralmente em locais de grande tráfego como estações de trem.

Por que o Japão é tão adepto das bicicletas?


Segundo pesquisas, o Japão é o terceiro país com o maior número de bicicletas do mundo, perdendo somente para a Holanda e Dinamarca. Mas porque a bicicleta tornou-se uma opção de transporte atraente para milhões de japoneses em sua vida diária? Existem vários, mas o mais importante deles é o viés da “sustentabilidade”.

Reflete na verdade uma tendência cultural muito antiga, que atravessou várias gerações e que ainda persiste naturalmente nos dias atuais. Esse tipo de transporte é usado regularmente por praticamente 99% da população para se locomover para diversos lugares como supermercados, creches, escolas, médicos, dentistas.

Geralmente são usados em trajetos de curta distância, ou seja, é considerado o transporte ideal e indispensável para os japoneses e inclusive estrangeiros irem a lugares próximos. Dependendo do lugar onde mora, como Tóquio por exemplo, andar de bicicleta não se trata de uma alternativa e sim de sobrevivência.


Como o sistema de transportes públicos no Japão é eficiente, muitos preferem abrir mão da sua própria condução para ir de bicicleta ou de trem. De acordo com um relatório divulgado pelo Governo Metropolitano de Tóquio, dois em cada três Tokyoites (moradores de Tóquio) utilizam bicicleta no seu dia a dia.

O motivo é simplesmente porque é muito mais rápido e conveniente utilizar esse tipo de transporte. Os japoneses são geralmente muito pontuais e a ideia de ficar preso em um congestionamento pode trazer muitos aborrecimentos. Então, o trem e a bicicleta, acabam sendo opções mais viáveis e baratas de locomoção.

É importante lembrar que a falta de espaço propicia esses costumes. Nas grandes metrópoles é muito difícil achar lugar gratuito para estacionar, fazendo com que as pessoas tenham que recorrer aos estacionamentos pagos. E como os preços não são nada animadores acaba sendo uma opção insustentável para muitas pessoas.

Além disso, há outros fatores como segurança e educação: Os japoneses normalmente cumprem as leis de trânsito e costumam respeitar os pedestres e ciclistas. Claro que existem exceções, mas de maneira geral, esse fato faz uma enorme diferença no convívio entre pedestres, ciclistas e condutores de veículos.
Tsuukin-isuto, uma tendência entre os japoneses

Nos últimos anos, especialmente depois do terremoto e tsunami de 2011, ir ao trabalho de bicicleta acabou se tornando oficialmente uma tendência considerada elegante e “desportiva”. Tanto que acabou ganhando um termo específico chamado Tsuukin-isuto. Tsuukin significa trabalho e isuto vem da palavra ist em inglês.

Mas o que ocasionou essa tendência, que acabou por aumentar o número de usuários de bicicleta e consequentemente impulsionou as vendas das mesmas? Segundo dizem, foi porque as pessoas ficaram com medo de ficarem presas dentro do trem e impedidas de voltar pra casa diante de um eventual desastre natural.

Em 2011, o terremoto paralisou os sistemas de transporte na área metropolitana de Tóquio, deixando muitas pessoas sem condições de voltar para casa naquele dia terrível. Por causa disso, as pessoas naturalmente passaram a optar pela bicicleta para irem ao trabalho ou escola, ao invés do trem ou ônibus.

Para incentivar o hábito, em Tóquio tem até algumas empresas que pagam um subsídio mensal para os funcionários que se deslocam para trabalhar de bicicleta, ao invés de usar o metrô. Bom para o bolso e também para o meio ambiente.

Como são as bicicletas no Japão?

Não pense que as bicicletas normalmente usadas no Japão são de alta tecnologia… Embora existam dessas no Japão, as mais usadas são bicicletas com estilos simples, geralmente com cestinhas na frente para facilitar o transporte de pertences ou compras no mercado. São muito usadas por pessoas de todas as idades, desde crianças, colegiais, adultos e pessoas de idade avançada.

Essas bicicletas são chamadas Mamachari, Mama = Mamãe e Chari = Charinko, apelido dado às bicicletas no Japão. Ou seja, Mamachari se traduz como “bicicleta da Mamãe”, apesar de algumas pessoas a chamarem de “bicicleta da vovó”.

Quando usada por mães japonesas que possuem crianças pequenas, as cestinhas são substituídas por uma cadeirinha na frente e outra atrás para carregar as crianças. Elas vem equipadas com farol de dínamo frontal, uma buzina que emite o som de um sininho e uma fechadura de segurança que trava a roda traseira.

Uma bicicleta Mamachari custa em média 10 a 20 mil ienes. Em lojas de usados é possível encontrá-la ainda mais barata. Por ter um preço acessível, os japoneses tendem a tratar a mamachari como se fosse algo descartável e roubos de bicicletas não são incomuns. Portanto é necessário deixar a bicicleta sempre travada.

Bicicleta, barata, fácil e amiga do meio ambiente
Na verdade, podemos dizer que no Japão não existem ciclistas e sim pessoas que utilizam a bicicleta de forma funcional e consciente. Abandonar o carro na garagem e se sucumbir ao veículo de duas rodas é uma atitude aparentemente simples e fácil, mas muitos países infelizmente não adotam esse estilo de vida.


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