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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Mais de três décadas após o lançamento, o disco “Ave de Prata” ainda é considerado o melhor trabalho de Elba Ramalho



O ano é 1979, eu me dirigia para o trabalho e, como ainda tinha tempo no intervalo do almoço, entrei numa loja de discos. LPs é claro, pois os CDs só chegariam na década seguinte. Manuseando os ‘bolachões’, dou de cara com “Ave de Prata”, de Elba Ramalho, do qual tinha ouvido algumas faixas na Rádio Sociedade de Feira – AM
Decidi apertar o orçamento, - bancário em início de carreira, dureza... literalmente, - e comprar o LP após ver o auxilio luxuoso dos monstros sagrados que acompanharam Elba na gravação, como os músicos e compositores consagrados, DominguinhosZé RamalhoGeraldo AzevedoSivucaRobertinho de Recife, Jaques Morelembaum e Jackson do Pandeiro.

Hoje, navegando em sites de cultura da net, vi a postagem abaixo do blog ‘ouçaessedisco’, que sintetiza tudo o que penso sobre a paraibana Elba Ramalho e, particularmente, a respeito do impagável disco “Ave de Prata”. Vejam a construção poética do autor da matéria! Foi paixão à primeira vista, pois tinha gostado das músicas que tinha ouvido, principalmente da faixa “Não sonho mais”, do inigualável Chico Buarque. 

Euriques Carneiro

"Normalmente escrevo sobre apenas um disco em cada post aqui em meu blog. Mas neste caso não há outra saída. Meu coração ainda não decidiu de qual dos dois discos sobre os quais quero falar ele gosta mais. Quantas lembranças em cada um. Quantas tempestades de emoções. Quantos trovões sacudindo a alma. Mas tudo bem, cabem os dois em meu coração mas vamos falar de Ave de Prata, primeiro trabalho de Elba Ramalho. 

O mesmo mandacaru rasgando a carne, o mesmo carcará voando alto sob o sol. Após ouvir todo o disco Ave de Prata, fica a certeza: este disco era necessário, essa cantora tinha de existir. Canta coração, um recado de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, traz um sentimento morno ao coração. Uma guitarra que acredito ser de Robertinho do Recife (me corrijam por favor se estiver enganado), faz meu "alegre coração triste como um camelo" chorar a ausência da namorada. Primeiro disco, primeira música, primeiro impacto. Chico Buarque não poderia escolher alguém melhor para cantar Não sonho mais. Eu é que vivo sonhando com aqueles bons tempos. A sanfona lembra que o forró é bom, mesmo moderno. 

Não vou ficar aqui dizendo que antigamente se fazia discos com um time de primeiríssima linha de músicos, é só pesquisar a ficha técnica e confirmar. Zabumba, sanfona, triângulo e Elba Ramalho. "Eu sonhei contigo e cai da cama...diz que me ama e eu não sonho mais". Veja se não dá vontade de ver a lua nascer em uma cidadezinha do interior ao ouvir Veio d´agua. A voz de Elba causou estranheza naqueles anos efervescentes. Alguns diziam que ela gritava. Este meio que baião Razão de Paz deve ter ajudado neste engano. A voz forte e cristalina é alta e cortante. Eu adorei já na primeira palavra. Uma coisa a aprender com este disco e principalmente nesta faixa chamada Baile de máscaras, é o uso de elementos modernos perfeitamente casados com o tradicional. E esta música apesar de não ser nenhum hit, ou alguma obra prima, tem uma estrutura gostosa de ouvir, simples, franca e direta. Filho das Índias foge um pouco do clima, mas não estraga o disco. 

Mas a faixa título, Ave de Prata, esta sim é responsável pela emoção principal que traduz o disco. Tinha de ser de Zé Ramalho. Violões e bordões e cavaquinhos e o lamento na voz de Elba. Bastava isto mas logo após temosKukukaya - o jogo da asa da bruxa. "São quatro jogadores nesta mesa, frente a frente para jogar", eia, eia o jogo sujo da vida. E meu amor onde andava nestes tempos? Kukukaya eu quero você aqui, presta atenção em mim. Ainda temos outras coisas...ouça o disco."

Referência: blog 'ouçaessedisco'

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