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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Capitaneado pelo ícone da dramaturgia, Othon Bastos, “O Último Cine Drive-In“ marca um dos bons momentos do cinema nacional



O jovem Marlombrando insiste em manter vivo o cinema drive in da família, mesmo não atraindo mais espectadores como na década de 70. Para isso, conta com a ajuda de apenas dois funcionários: Paula, que cuida da projeção e da lanchonete e José um velho amigo que ajuda a vender ingressos no caixa e da limpeza do local. Com a ameaça de demolição do Cine Drive-in pai e filho vão ter que se unir e tentar dar a volta por cima
Fartamente elogiado no último festival de cinema de Gramado, O Último Cine Drive-In marca a estréia do diretor Iberê Carvalho na direção e com muita delicadeza faz uma bela homenagem ao mundo perdido dos 35 mm e dos Drive-in, praticamente extintos no Brasil e que antes faziam parte do circuito cinematográfico brasileiro. Com uma poderosa atuação do experiente Othon Bastos e com as ótimas interpretações de Fernanda Rocha , Breno Nina , o filme cria um entrosado clima para desfrute dos cinéfilos de plantão.

Na trama, conhecemos o jovem Marlombrando (Breno Nina), um rapaz de menos da meia idade que se vê perdido em um caos emocional enorme com a ida da mãe a um hospital, os conflitos do passado que precisa enfrentar e as lembranças lindas de uma vida antiga mas que ainda o traz boas lembranças. Seu pai, Almeida (Othon Bastos) é dono de um quase abandonado Drive-in em Brasília e lá o futuro de todos será decidido a partir das escolhas que são muito mais do coração do que da razão.

Em meio a 35 mms, uma crítica (não muito profunda) a indústria cinematográfica e aos governantes que muitas vezes preferem construir prédios em vez de investir na cultura, o longa-metragem de 100 minutos é um drama carregado de emoção que possui um primeiro ato praticamente perfeito que deixam o espectador com os olhos grudados nos acontecimentos. A carga emocional embutida em cada conflito de cada personagem ajuda e muito a história de tornar interessante a todos. O Último Cine Drive-In , de uma maneira geral, é, sem dúvidas, um dos trabalhos mais consistentes do nosso cinema nos últimos anos.

O único fator que pode causar algum ponto negativo com o filme, é que a trama arma todo seu conteúdo para um grande final, ou alguma surpreendente ideia que a história possa apresentar, porém, as conclusões que se chega ao final são bem pés no chão e nem de longe há um clímax impactante. Mas, como já mencionado, a delicadeza com que os personagens são interpretados gera uma empatia instantânea com o público, que deve gostar bastante desse belo trabalho nacional.

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