domingo, 5 de julho de 2015

Juazeiro do Norte, a maior cidade do sertão cearense, fundada por “Padim Ciço”, é destaque no tópico ‘turismo religioso’





Com sua tradição em receber turistas, Juazeiro do Norte conta hoje com vários xilógrafos, um artesanato rico e boa rede de hotéis e restaurantes, conta três grandes romarias e tem um dos trânsitos mais caóticos do Nordeste

Para fomentar o turismo religioso, a cidade conta com três grandes romarias que fazem a alegria dos peregrinos: no dia 15 de setembro; entre 30 de outubro e 2 de novembro; e de 30 de janeiro a 2 de fevereiro. 
Os cerca de 300 mil devotos presentes em cada romaria entoam cânticos em homenagem ao padre; alguns se vestem como ele, com chapéu de palha e traje preto – os mais velhos, aliás, vestem-se assim no dia 20 de cada mês, em honra ao dia do nascimento do religioso.
Além delas, a data do nascimento de padre Cícero – 20 de julho – atrai muitos fiéis. Nessas ocasiões, Juazeiro fervilha: romeiros vêm de todos os lugares do Nordeste em caminhões, ônibus, carros, jegues, cavalos, charretes, motocicletas e bicicletas, as aulas são suspensas, faltam hotéis, pousadas e outras acomodações.

A colina do Horto, conhecida como morro do padre Cícero, ilumina à noite para guiar quem chega à cidade; degraus de pedra conduzem ao topo, onde ficam a igreja, o museu e a famosa estátua do padre.

Dali se tem uma vista privilegiada de Juazeiro, onde há cinco igrejas: a matriz de Nossa Senhora das Dores, o santuário do Sagrado Coração de Jesus, a capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a basílica de São Francisco e a paróquia de Nossa Senhora de Lourdes.

Distante 495 quilômetros de Fortaleza, pela BR-116, Juazeiro do Norte é o principal ponto de partida para explorar as atrações das cidades próximas, como Crato, Nova Olinda e Santana do Cariri.

No alto da colina do Horto, perto do Museu Vivo, foi instalada a imponente estátua do religioso: com 25 metros de altura e 8 de largura, somados à elevação da colina, ela é superada em altura total apenas pelo Cristo Redentor.

Em dias de romaria, o seu entorno fica lotado, pois atrai não só romeiros, que sobem em massa para tocar a batina do padre, como também vendedores de suvenir e meninos que contam várias histórias do “padim” em busca de alguns trocados. Colina do Horto, 8 km do Centro.

MEMORIAL PADRE CÍCERO

A casa onde o padre Cícero morou foi transformada em museu e conserva o quarto com a cama, a escrivaninha, as roupas (inclusive as de cerimônia), os armários, a louça e a cozinha usados por ele.

Padre Cícero esteve em Juazeiro do Norte pela primeira vez no Natal de 1871, quando rezou a Missa do Galo. Ao morrer, em 1934, aos 90 anos, já tinha status de santo – não reconhecido pelo Vaticano. Para conhecer mais sobre sua vida, não deixe de visitar seu memorial, no qual estão reunidos objetos pessoais, livros sobre seus feitos e fotos.

Há também objetos deixados pelos adoradores do religioso pelas bênçãos alcançadas – vão de faixas de times de futebol e fotos de casamento até bichos empalhados e placas de agradecimento.

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
A menor e mais simples das igrejas de Juazeiro do Norte é a que tem a honra de guardar o túmulo de padre Cícero, imenso tesouro para quem o venera.

Durante as peregrinações, ela fica apinhada de romeiros que partem em procissão para a matriz ou para a colina do Horto. Pҫa. do Cinquentenário, Socorro.

MUSEU VIVO DO PADRE CÍCERO

A atmosfera religiosa prepondera no ambiente desta enorme casa, repleta de ex-votos de diferentes tipos e de réplicas do padre feitas de gesso, deixados pelos milhares de devotos. Logo na entrada, vale observar os vários livros dedicados ao religioso. Colina do Horto, 8 km do centro.

CENTRO DE CULTURA POPULAR MESTRE NOZA

Atualmente a Associação de Artesãos do Juazeiro do Norte está situada no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, assim os artistas de Juazeiro do Norte prestam homenagem ao grande escultor brasileiro.

Neste grande galpão com teto de palha, o principal centro de compras de artesanato de juazeiro, trabalham dezenas de artesãos.

Ali se encontra uma infinidade de esculturas de madeira e de gesso, com imagens de Lampião, de Luís Gonzaga, do padre Cícero, de animais e bonecas etc. R. S. Luís, s/n, Centro.

GRÁFICA DE LITERATURA DE CORDEL LIRA NORDESTINA
O espaço se divide em uma sala ampla onde fica a gráfica, com tipos e máquinas antigos, e outra que abriga o acervo de cordéis à venda. Entre os temas, festas populares, tradições e personagens locais e tributos a personalidades como Patativa do Assaré, Lampião e Guimarães Rosa. Av. Castelo Branco, 150, Rumerão.

PADRE CÍCERO
Cícero Romão Batista nasceu na cidade de Crato em 24 de março de 1844. Em 1872, dois anos depois de ordenar-se, teria tido um sonho com que Jesus Cristo lhe pedia que zelasse pelos pobres sertanejos do então arraial de Juazeiro.

Cícero atendeu ao chamado e instalou-se no povoado. O primeiro dos milagres atribuído ao religioso foi a transformação de uma hóstia em sangue, na comunhão de uma beata. A notícia correu o sertão.

Depois de o monsenhor Francisco Monteiro, reitor do seminário de Crato, anunciar publicamente que Cícero fazia milagres e organizar uma romaria com 3 mil pessoas até Juazeiro, a Igreja Católica reagiu: no Vaticano, a Congregação do Santo Ofício quis excomunga-Io, mas, receosa da repercussão – o padre também era aliado de coronéis – e da reação popular, recuou e restringiu-se a impedi-lo de rezar missas.

O padre assumiu então o posto de prefeito de Juazeiro do Norte. Com o tempo, o povoado cresceu; os devotos ali fixaram residência para estarem mais próximos do padre, que morreria em 1934, aos noventa anos, potencializando a mística sobre a qual a cidade se apóia e da qual sobrevive.

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