terça-feira, 21 de julho de 2015

Inspirada na retórica emocional de Brutus e Marco Antônio estreou em SP a peça “Caesar – Como Construir um Império”





Ainda durante a campanha presidencial de 2014, o diretor Roberto Alvim, que observava os debates entre os políticos que disputavam a eleição presidencial, teve a idéia de montar Caesar – Como Construir um Império, que estreou na última sexta-feira, 17, no SESC São Paulo

A forma como aqueles políticos manobravam as palavras remeteram Alvim à retórica emocional de Brutus e Marco Antônio, da peça Julio César, de Shakespeare. “Como a política envolve uma manipulação de afetos – e hoje constatamos essa polarização que invade as redes sociais entre os favoráveis e os contrários, percebi que era o momento de montar essa peça.”
Saindo do eixo do texto shakespeariano, Alvim preferiu resumi-lo para dois atores, que transitam por todos os personagens, permitindo que o jogo político se evidencie na permanente troca de discurso. Nasceu, assim, Caesar – Como Construir um Império, que estreia na sexta-feira, 17, no teatro do Sesc Santo André – a montagem virá para São Paulo no dia 18 de setembro, no Centro Cultural São Paulo.
Elenco de dois atores
Com a presença de apenas dois atores, Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia, é evidenciado o argumento de que os discursos são cambiáveis, dependendo da situação. E a trama armada por Shakespeare comprova essa tese – durante uma sessão no senado, César é morto por um grupo de conspiradores liderados por Brutus que, diante do povo romano, profere um discurso para justificar o homicídio, garantindo que a ambição iria conduzir o governante para a tirania. Matá-lo, portanto, foi a melhor maneira de manter o povo livre e salvar a democracia.

Convencido, o povo aclama Brutus como herói nacional. Em seguida Marco Antônio fala aos cidadãos e, em seu emocionado discurso, garante que César jamais se tornaria um tirano, e que Brutus e os outros não passavam de traidores. O povo avança contra Brutus e seu grupo, obrigando-os a fugir. Em seguida, Marco Antônio assume o poder do Império, enquanto os conspiradores são perseguidos e mortos. Brutus, tomado por uma crise de consciência, comete suicídio no momento em que Roma mergulha em uma guerra civil.

O cenário

O cenário onde a peça acontece é um quadrado de 36 m² coberto por milhares de moedas. No teto, surgem esqueletos pendurados e uma luz vermelha de néon de cinco metros de altura une o solo ao teto. “Um império se constrói com dinheiro e morte e é o sangue que os conecta”, justifica Alvim, ao falar da forma espartana do espaço onde se desenrola a encenação.

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