sexta-feira, 17 de julho de 2015

Décadas de um bom trabalho da música brasileira no exterior garante sucesso mundial da turnê de Gil & Caetano





Com shows programados ainda para França, Itália, Portugal, Espanha e Israel, a turnê pode ter novas datas, diante da procura por ingressos em todos os lugares onde a dupla se apresentou, mesmo com preços bastante salgados


Segundo avaliação do próprio Gilberto Gil após lotar mais um teatro, o sucesso mundial da sua turnê em parceria com Caetano Veloso é o resultado do êxito de décadas da música brasileira no exterior e não apenas de duas pessoas. Aplaudia por público e crítica no Festival de Jazz de Montreux, a dupla foi uma das principais atrações deste ano do evento, com ingressos a mais de R$ 1 mil, preço nada barato mesmo para os padrões europeus.

Com shows programados ainda para França, Itália, Portugal, Espanha e Israel, a turnê pode ter novas datas, diante da procura por ingressos. "A dimensão pessoal desse sucesso não tem importância. A arte brasileira teve um impacto importante no mundo nas últimas décadas, para as relações diplomáticas, políticas e econômicas", avaliou Gil em recente entrevista.

O cantor e compositor baiano não se esquivou da questão que envolveu a pressão contra a ideia de a turnê fazer uma parada em Israel, por conta da crise palestina e das acusações de grupos de direitos humanos contra as práticas do governo israelense. "Não fiquei surpreso com isso. Tenho ido com muita frequência nos últimos anos e todas as vezes temos tido manifestações no sentido de desestimular a ida. Mas escolhemos ir. Vou cantar para um Israel palestino. A presença de um setor importante da sociedade de Israel é favorável a um estado palestino, a uma política mais tolerante e harmoniosa. Essa parcela é quase metade da população. Eu sou dessa metade", justificou.

Situação política

Gil também não evita falar do momento político brasileiro. Apesar da crise, um aspecto positivo que ele destaca no País é o fato de não haver a personificação de um líder. "É bom estar sem lideranças muito pessoais. É um momento que é bom assim, que as responsabilidades em relação aos comandos estejam divididas entre os vários partidos, entre as várias personalidades. Inclusive da liderança que se exige da presidência, é bom que se tenha esse cenário para que Dilma (Rousseff) fique mais tranquila", disse.

Gil, que foi ministro da Cultura no governo Lula de 2003 a 2008, também não acredita que as vozes em defesa da queda do governo tenham sucesso. "Não haverá impeachment. Não há razão nem clima. Dilma vai concluir o seu mandato. É natural que conclua." Ele diz não se surpreender diante das vozes que pedem um golpe. "A sociedade é assim. Tem gente que fala em nazismo na Alemanha, tem gente que fala em monarquia. Tem de tudo", afirmou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!